O despejo de material tóxico de atividades agroindustriais e industriais é a principal fonte de poluição dos mananciais de água do País, cuja contaminação quintuplicou nos últimos dez anos. Esse é apenas um dos dados preocupantes do “Relatório do Estado Real das Águas do Brasil”, divulgado ontem pela ONG Defensoria da Água, na sede da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em Brasília.
O amplo levantamento foi possível graças ao engajamento das populações à Campanha da Fraternidade da CNBB, que neste ano teve como tema a água. O secretário-geral da organização, Leonardo Moreli, disse que as mais de 30 mil comunidades que participaram da campanha responderam a um relatório sobre a situação das águas em sua região, que foi devidamente checado.
Segundo ele, no caso industrial a situação é mais alarmante por causa da falta de controle ambiental quanto à geração, tratamento e destinação final de resíduos gerados no processo produtivo, normalmente acumulados nas margens de cursos de água.
O relatório denuncia ainda que o interesse internacional pelo domínio de nossas reservas de água vem crescendo a cada dia. A partir do ano 2000, o Banco Mundial liberou US$ 25 milhões para levantamento do potencial de exploração do Aquífero Guarani, maior reserva de água pura do mundo, localizada no subsolo do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com potencial de fornecimento de água para toda humanidade por 300 anos.
Com essas informações estratégicas, afirma o relatório, grandes empresas têm adquirido áreas localizadas exatamente nos principais pontos de afloramento e recarga, com total omissão dos governos. Para Moreli, a primeira coisa a ser feita para reverter o quadro atual é integrar todas as áreas governamentais no sentido de criar políticas públicas que aproveitem os recursos humanos e materiais disponíveis. Ele citou, por exemplo, o projeto de autoria da deputada Selma Schons (PT-PR), que prevê que o agente social de saúde seja também agente ambiental, e o esforço da CNBB para levar informação às comunidades sobre a importância de defender nossas reservas de água doce.
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