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Para ONU, objetivo de Israel é confiscar terras

set 30, 2004 | Geral

O objetivo da barreira que Israel está construindo não é evitar a entrada de suicidas, mas sim confiscar terras palestinas na Cisjordânia, disse na sexta-feira o investigador John Dugard, da ONU, num relatório para a Assembléia Geral.

“Não há evidências convincentes de que não se pudesse evitar a entrada dos suicidas de forma tão eficiente quanto com a construção do muro sobre a Linha Verde — a fronteira aceita entre Israel e as terras palestinas — ou dentro do lado israelense da Linha Verde”, disse Dugard.

“O trajeto do muro indica claramente que seu propósito é incorporar o máximo de colonos em Israel”, afirmou o investigador, um professor sul-africano de direito indicado pela Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para monitorar os territórios palestinos.

“Isso é confirmado pelo fato de que cerca de 80 por cento dos colonos da Cisjordânia serão incluídos pelo muro”, afirmou.

Autoridades israelenses dizem que a barreira de 600 km, um terço concluída, é necessária para evitar a ocorrência de ataques terroristas em Israel, e que o número de ataques caiu drasticamente em virtude da construção.

Os palestinos a vêem como uma tentativa de confiscar as terras que pretendem usar para estabelecer um Estado independente.

Em julho, a Assembléia Geral da ONU adotou uma resolução — que não tem força de lei — exigindo que o muro fosse derrubado, em linha com a decisão — também sem força de lei — da Corte Internacional de Justiça de que seu traçado é ilegal.

Israel se negou a obedecer à resolução e à decisão do tribunal. Mas anunciou que revisaria o traçado previsto.

Segundo o relatório do investigador, o objetivo da barreira é “expandir o território de Israel” e “forçar moradores palestinos que vivem entre o muro e a Linha Verde, ou que vivem ao lado do muro mas foram separados de suas terras por ele, a deixar suas casas e recomeçar a vida em outro local da Cisjordânia, ao tornar a vida intolerável para eles”.

“Terras ricas em agricultura e recursos hídricos foram confiscadas ao longo da Linha Verde e incorporadas a Israel”, disse ele.

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