Em assembléia realizada na tarde desta segunda-feira (27/09), os bancários decidiram pela continuidade da greve da categoria em São Paulo, Osasco e Região. Ficaram parados 292 locais de trabalho que abrangem cerca de 25 mil trabalhadores. Na região de Osasco houve greve em 49 agências e concentrações; na Zona Leste, 54; na Norte, 45; na Oeste, 27; na Sul, 25; na região da Paulista, 45, e no Centro, 47, nesta segunda.
“A disposição dos bancários em permanecer em greve está evidente. Enquanto os banqueiros não apresentarem nova proposta, os trabalhadores continuarão parados”, afirma o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino.
A ingerência policial foi mantida na greve. Em função disso, o Sindicato enviou ao secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo Castro de Abreu Filho, uma solicitação de audiência para tratar do uso de força policial para coibir a greve dos bancários. “Isto é uma afronta ao direito de greve dos trabalhadores”, avalia Marcolino.
Os bancários aprovaram na assembléia uma moção de repúdio ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco, na pessoa de seus presidentes, respectivamente Cássio Casseb, Jorge Mattoso e Márcio Cypriano, também presidente da Fenaban. A moção é em função do desrespeito ao direito de greve e à intransigência dos banqueiros que insistem em não negociar. Amanhã (28) os bancários fazem nova assembléia na quadra (rua Tabatingüera, 192, Sé), às 17h.
TRT – O Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT/SP) informou, também nesta segunda, que julgou improcedente o pedido do Ministério Público do Trabalho de julgamento de abusividade da greve dos bancários. Com base na argumentação jurídica feita pelo Sindicato, o vice-presidente do TRT/SP informa que a greve não compromete o funcionamento de serviços essenciais. Além disso, o TRT mantém a busca pela saída negocial, convocando o Sindicato e a Fenaban para uma audiência de conciliação. “Vamos até lá para demonstrar ao TRT nossa disposição de negociar. Esperamos que a Fenaban faça o mesmo”, diz o presidente do Sindicato. “Nosso movimento não é abusivo, respeitamos a lei de greve. Quem não respeita o direito de greve são os banqueiros”, completa Marcolino.
Proposta – A categoria reivindica reposição da inflação mais aumento real de 17,68% para os salários e demais verbas de natureza salarial, e PLR de um salário mais R$ 1.200.
A proposta rejeitada por 70% dos bancários presentes à assembléia de 14/9, previa reajuste salarial de 8,5% mais R$ 30 para quem ganha salários até R$ 1.500 – o que implicaria em reajustes de até 12,77% e aumento real de 5,75%. Para os que ganham acima de R$ 1.500, o reajuste sugerido era de 8,5%, assim como para as demais verbas de natureza salarial como vales alimentação, refeição e auxílio-creche.
O INPC do período foi de 6,64%. A proposta previa Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 80% do salário mais R$ 705 e pagamento de vale-alimentação extra de R$ 217. Também foram rejeitados avanços em questões específicas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
A data-base da categoria é 1º de setembro. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região representa 106 mil bancários de aproximadamente 4 mil locais de trabalho em São Paulo, Osasco e mais 15 municípios da região.
Cláudia Motta – Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
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