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CPI da Loterj recomenda prisão preventiva de Waldomiro e Cachoeira

out 28, 2004 | Geral

Relatório final da CPI que investigou o período em que o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz presidiu a Loterj foi aprovado nesta terça (26), na Assembléia do Rio. Novidade foi o pedido de indiciamento do deputado federal Bispo Rodrigues (PL-RJ).

Rio de Janeiro – Com o voto unânime dos 58 deputados presentes a sessão extraordinária realizada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, foi aprovado nesta terça-feira (26) o relatório final da CPI que investigou as irregularidades cometidas no período em que o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz presidiu a autarquia estadual Loterias do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Como já havia sido antecipado no Diário Oficial de 1º de setembro, o relatório sugere ao Ministério Público o indiciamento e prisão preventiva de Waldomiro e do empresário e bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, além de outras oito pessoas envolvidas nas irregularidades.

Waldomiro e Cachoeira são acusados no relatório pela prática de 12 crimes, entre eles corrupção, formação de quadrilha, improbidade administrativa, fraude e extorsão. O trabalho de seis meses da CPI resultou num documento de quase 300 páginas, que será encaminhado ainda esta semana para os Ministérios Públicos Federal e Estadual, para os Tribunais de Contas do Estado e da União e para a Polícia Federal.

A novidade do relatório foi o pedido de indiciamento do deputado federal Bispo Rodrigues (PL-RJ), citado no documento como parceiro de Waldomiro num esquema que desviou verbas de publicidade da Loterj. A inclusão de Rodrigues coincide com o envolvimento do deputado na matéria publicada pela revista Veja que revela a existência de gravações onde o deputado federal André Luiz (PMDB-RJ) tenta extorquir R$ 4 milhões de Cachoeira. Em troca do dinheiro, segundo o deputado federal, o contraventor teria a garantia de que as acusações contra ele seriam minimizadas pelos deputados estaduais no relatório final da CPI.

Rodrigues se disse “surpreso” com o pedido de indiciamento: “Nem sequer fui convocado a depor por essa CPI, como podem me indiciar? Estou sendo vítima de represália por ter revelado o esquema de tentativa de extorsão contra o Cachoeira”, disse. O presidente da CPI, Alessandro Calazans (PV), também citado por André Luiz como parte do esquema, aproveitou a aprovação do relatório em plenário para desabafar. “O senhor Cachoeira tentou achincalhar o trabalho desta comissão porque sabia que o relatório seria, como de fato foi, duríssimo contra ele. Tentaram macular o nome desta CPI, mas quero registrar que este relatório é o único documento existente hoje no Brasil sobre o Caso Waldomiro, seja na esfera estadual ou federal”, disse.

Apesar da aprovação do relatório, existem deputados que preferem não ver a CPI como acabada. É o caso de Carlos Minc (PT), que já anunciou a pretensão de solicitar a abertura de uma outra CPI na casa, desta vez para investigar as denúncias contra André Luiz e os deputados citados por ele. “Todos estamos em suspeição”, disse. O deputado Alessandro Molon (PT) pensa da mesma forma, e vai pedir ao Ministério Público Estadual que investigue as denúncias contidas na matéria da revista Veja. Molon chegou a defender que a CPI da Loterj estendesse seus trabalhos. “Aprovar o relatório agora pode dar a impressão que esta casa está querendo encerrar o assunto”, disse, momentos antes da votação.

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