Grande número de assentados desfilaram com Borborema e Ferrari pelas ruas de Itaquiraí
Os assentados e líderes do MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Toninho Borborema e Carlos Ferrari foram recebidos como heróis na tarde de ontem em Itaquiraí. Para dar boas vindas aos dois assentados que permaneceram presos durante 78 dias na Penitenciária de Segurança Máxima de Dourados, acusados de roubo, formação de quadrilha e seqüestro, coordenadores do MST, um grande número de colonos assentados e acampados promoveram uma calorosa recepção, na entrada da cidade em Itaquiraí. Depois de passeata, eles fizeram um ato público em protesto contra a prisão.
O deputado estadual Pedro Kemp (PT), o superintendente adjunto do Incra/MS Valdir Perius, e a presidente do Centro de Defesa dos Direitos Humanos “Marçal de Souza” Nancineide Cássia da Silva prestigiaram a recepção e uma passeata pelas principais ruas de Itaquiraí. Com faixas, bandeiras e gritos de guerra do MST, Toninho e Ferrari foram ovacionados e tiveram suas ações destacadas como defensores natos do homem do campo e exemplos na luta em prol da reforma agrária.
O deputado Pedro Kemp (PT) disse ao Diário de MS que veio prestar solidariedade a Carlos Ferrari e Toninho Borborema. Na verdade, vim animar os companheiros e pedir que continuem na luta e não desistam”, acrescentou. Kemp considera que o resultado da ação dos dois líderes sempre culmina com a reforma agrária, geração de empregos no campo e aumento da agricultura familiar “por isso, eles têm meu total apoio”.
O parlamentar petista considerou que não justificava a prisão de Borborema e Ferrari tendo em vista que os dois possuem residência fixa, são assentados, por isso, poderiam responder o processo em liberdade. “Sempre confiamos na Justiça e a justiça está sendo feita”, afirmou.
Justiça
“Para mim a Justiça veio tarde”. Essa foi a frase do líder do MST Carlos Ferrari ao comentar o Hábeas Corpus concedido na 1ª Turma do TJ/MS. Para ele, as acusações contra sua pessoa e Borborema as quais está respondendo são improcedentes. “O roubo de gado não existiu, portanto, não houve formação de quadrilha e, concomitantemente, não houve sequestro. Então, não havia nenhum motivo técnico-jurídico que justificasse a nossa detenção”.
Ferrari confidenciou que durante as audiências respondeu a todos os pedidos de informação, o mesmo acontecendo com todas as testemunhas da acusação. “Aliás as testemunhas de acusação entraram em conflito e chegaram a negar a argumentação inicial passando a dizer que realmente não houve roubo ou seqüestro na fazenda Junqueira. Então, se as próprias testemunhas reconhecem que não houve crime, não existia motivo para continuarmos presos”.
Toninho Borborema e Carlos Ferrari vão continuar respondendo ao processo em liberdade e disseram que vão trabalhar para provar a todos que não são ladrões como a “grande mídia” preferiu considerá-los. “Vamos precisar da imprensa para mostrar que somos pessoas de bem e nossa causa é em defesa de terra para o trabalhador rural que precisa de um pedaço de chão para plantar e criar seus filhos”.
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