O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançará em Caracas, para onde viaja no próximo domingo, uma “alianças estratégica” com a Venezuela, na qual se incluirão iniciativas como desembolso de créditos e o impulso aos investimentos de empresas brasileiras no país.
A “aliança estratégica”, segundo explicou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em um comunicado, se concentrará nas áreas de defesa e proteção da floresta amazônica, na exploração e exportação de petróleo e gás, petroquímica, produção de etanol e biodiesel, mineração, siderurgia e projetos de infra-estrutura, entre outros.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amoim, recebeu em Brasília na sexta-feira seu colega venezuelano, Alí Rodríguez Araque, para finalizar os detalhes da visita de Lula à Venezuela e dos acordos que serão assinados com o presidente Hugo Chávez, informou um porta-voz do Itamaraty.
Lula e Chávez firmarão um acordo para evitar a tributação dobrada de empresas, e anunciarão a “intensificação” da cooperação entre as petrolíferas estatais Petrobras e PDVSA na exploração conjunta de áreas, em sua atuação em outros mercados, no refino e em petroquímica.
Também será criada uma empresa binacional com a participação da mineradora Companhia Vale do Rio Doce e a companhia estatal venezuelana de desenvolvimento Corpozulia, para explorar reservas de carvão no oeste do país, acrescentou o Itamaraty.
O Brasil, que agilizará o desembolso de créditos para financiar a exportação de bens e serviços brasileiros para projetos de infra-estrutura na Venezuela, disse que espera que a Embraer renove e forneça novas aeronaves Tucano à Força Aérea Venezuelana.
Entre os projetos de obras públicas na Venezuela que já contam ou contarão com a participação de construtoras brasileiras estão duas pontes sobre o rio Orinoco, as linhas 3 e 4 do metrô de Caracas, uma hidrelétrica e um projeto de irrigação.
Lula e Chávez também analisarão a possibilidade de exercícios de segurança conjuntos na floresta amazônica e uma maior cooperação na vigilância da região.
Segundo o Itamaraty, empresas brasileiras poderiam participar do desenvolvimento de um sistema venezuelano de vigilância da parte da floresta que se encontra em seu território.
O intercâmbio comercial entre os dois países foi superior a 1,6 bilhão de dólares em 2004.
Logo depois do referendo do ano passado que confirmou o mandato de Chávez, Lula pediu aos empresários brasileiros que investissem pesadamente na Venezuela. O Brasil desempenhou um papel “pacificador” no tortuoso caminho até o referendo.
Lula permanecerá em Caracas domingo e segunda-feira, quando segue para Suriname e, depois, para a Guiana.
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