O deputado estadual Pedro Kemp (PT) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (21) para denunciar e repudiar um grave episódio de violência física, intolerância política e injúria racial ocorrido em Campo Grande. O parlamentar protocolou oficialmente um requerimento de Moção de Apoio à professora Pamela Kariny Peteres Soares Lima, de 30 anos. A educadora negra foi covardemente atacada no fim da tarde da última terça-feira (20), no cruzamento das avenidas Mato Grosso e Ceará, cenário de um ato político.
O pronunciamento de Kemp baseia-se no minucioso relato da vítima e de seu esposo, Wellington. Segundo os fatos narrados, Pamela participava de forma pacífica de um bandeiraço em apoio ao presidente Lula quando, por volta das 17h30, após a desmobilização de parte da militância, foi alvo de uma emboscada violenta por integrantes do grupo político adverso.
De acordo com o relato, uma mulher avançou do canteiro central e atingiu a professora com uma forte investida corporal. Logo em seguida, Pamela foi atacada pelas costas por um grupo de pessoas, sendo derrubada no asfalto. Caída e sem chances de defesa, a educadora passou a receber socos e chutes, sendo obrigada a proteger a cabeça com os braços, sofrendo fortes dores decorrentes do impacto contra o chão. A gravidade da violência persistiu mesmo após a queda: a professora foi arrastada pelos braços do meio da pista de rolamento até o canteiro lateral da via pública.
O marido da vítima, ao conseguir atravessar a avenida após a abertura do semáforo, deparou-se com a esposa caída e sendo arrastada. Ao tentar socorrê-la e acionar a Polícia Militar, o casal passou a ser alvo de intimidações e novos insultos de teor estritamente racista e discriminatório. Conforme o depoimento das vítimas, eles foram insultados com termos como “preta”, “preto”, “burro”, “petista” e diversos palavrões, perpetuando o abalo emocional e o constrangimento público mesmo após cessadas as agressões físicas.
O relato também aponta que a rede de intimidação se estendeu a membros de equipes de lideranças partidárias adversárias presentes no local. Um homem, que se identificou como integrante da segurança da comitiva de Reinaldo Azambuja (PL), dirigiu novas ofensas verbais a Pamela e, posteriormente, tentou repassar uma versão distorcida e inverídica dos fatos às autoridades policiais assim que a viatura da Polícia Militar chegou ao cruzamento.
Devido ao severo abalo emocional, dores físicas e ao estado de nervosismo decorrentes do espancamento e das humilhações, a professora precisou ser encaminhada à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (DEPAC) Centro, mas não reuniu condições psicológicas imediatas de concluir o boletim de ocorrência na mesma noite, dada a lotação da unidade e o trauma sofrido.
Amparado pelo artigo 173 do Regimento Interno da Casa de Leis, o deputado Pedro Kemp exigiu rigor absoluto na apuração do caso, demandando a imediata requisição e preservação de imagens de câmeras de segurança e vídeos gravados por populares para identificar e responsabilizar criminalmente cada um dos agressores.
“A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, como legítima representante dos ideais e aspirações de nosso povo, aprova esta Moção de Apoio à professora Pamela. É inadmissível que o racismo estrutural e a violência política sejam utilizados como ferramentas de silenciamento. Exigimos punição rigorosa. A dignidade humana e a liberdade de expressão devem ser protegidas de forma intransigente, independentemente de posições partidárias”, declarou Pedro Kemp.
O casal forneceu à imprensa fotografias, registros em vídeo da manifestação e contatos diretos, colocando-se à disposição para conceder entrevistas e prestar os esclarecimentos necessários para que o crime não fique impune.
Foto: Giovanni Coletti
2º turno: Professora negra sofre agressão racista em Campo Grande e Kemp denuncia e faz Moção de Apoio
Jacqueline Bezerra Lopes
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