As principais entidades dos movimentos sociais no país promoverão uma série de protestos em diferentes cidades do país contra as negociações da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), na próxima sexta-feira (21).
Em nota intitulada “A América Latina contra a Alca”, a Coordenação dos Movimentos Sociais, que agrega MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), das pastorais, CUT (Central Única dos Trabalhadores), UNE (União Nacional dos Estudantes), Contag e pastorais, convocam seus militantes para marcharem contra as negociações da Alca no dia 21, data que marca o fim da reunião ministerial em Miami (EUA) para tratar do tema.
Em reunião na sede da CUT em Porto Alegre, ontem à tarde, a Coordenação dos Movimentos Sociais organizou a “Marcha dos Sem”, que pretende reunir 8.000 pessoas na sexta-feira.
Segundo a CUT, outras atividades confirmadas são: em Brasília, a manifestação da marcha dos sem-terra, na embaixada dos EUA; em São Paulo, uma manifestação no Banco Central; no Rio de Janeiro, um apitaço em frente ao consulado norte-americano; e no Paraná, um debate sobre militarização e a Alca.
Além da Alca, também serão alvos dos protestos a renovação do acordo com FMI (Fundo Monetário Internacional) a realização da reforma agrária no país e a redução da jornada de trabalho. Em alguns Estados os manifestantes condenarão a liberação do plantio de soja transgênica.
Leia abaixo a íntegra da nota convocatória:
“21 de novembro: A América Latina contra a Alca”
Os ministros da economia negociam em Miami a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Por isso, mulheres e homens em todos os países da América estão nas ruas para dizer que não aceitam a acordos que só são vantajosos para as transnacionais dos Estados Unidos.
A Alca transformaria toda a América Latina em quintal dos Estados Unidos que não teriam limites para explorar nossas riquezas e interferir no nosso destino. Por isto, cresce a resistência. Em 2002, realizamos um plebiscito popular com mais de 10 milhões de votos dizendo não ao acordo.
A pressão dos EUA é imensa. Queremos não apenas que o governo se oponha às pressões de Bush, mas que se apóie no povo e convoque um plebiscito para que decidamos democraticamente nosso destino.
Queremos a unidade, a solidariedade e o direito do povo de participar nas decisões que afetarão nosso continente. Queremos uma outra integração, onde o comércio não seja vantajoso só para poucos e maléfico para milhões.
Não aos acordos com o FMI!
Mesmo não sendo obrigado o Brasil está em vias de assinar novo acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Tais acordos obrigam, no geral, a que o governo, em vez de usar o dinheiro dos impostos para desenvolver o país e gerar empregos, remeta o fruto do nosso suor para pagar juros aos banqueiros e especuladores.
Este ano, mais de R$ 89 bilhões foram para o pagamento das dívidas. Um novo acordo impediria o crescimento do Brasil, gerando mais desemprego e exclusão. Com este dinheiro o Brasil poderia:
– Assentar mais de 3,5 milhões de famílias pela reforma agrária;
– Construir mais de 3,5 milhões de casas populares;
– Resolver a crise nas universidades e ampliar o ensino público;
– Garantir saúde de qualidade;
– Este valor é superior a todos os gastos nas áreas sociais.
Por desenvolvimento econômico e social, trabalho e distribuição de renda!
Coordenação dos Movimentos Sociais
Organizar a esperança!”
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