Há quase 6 anos está na Justiça em Campo Grande um processo motivado por negligência no atendimento médico no posto de saúde do Vila Almeida. A família de Clodoary Maniçoba Filho, na época com 14 anos, foi surpreendida após diagnósticos equivocados (dengue). O filho contraiu meningite e quando a doença foi descoberta já era tarde, ele estava com seqüelas graves.
Agora o caso que envolve o filho de um ex-motorista e a prefeitura de Campo Grande parece estar perto de ser resolvido. No dia 28 de fevereiro de 1999 o jovem estudante amante das peladas na região do Sayonara foi levado para o posto da Vila Almeida com febre e mal-estar. Foi medicado com dipirona. Depois de três retornos ao posto, em 25 dias, a família o levou até a unidade de saúde do bairro Serradinho.
Em 9 de março de 1999, o pai, Clodoary Maniçoba de Oliveira, 57 anos, na época motorista, relata que precisou arrombar com os pés a porta da sala do médico. Ele justifica que “já estava desesperado”, pois o filho já não andava. Conseguiu dessa forma uma ambulância e acompanhou o adolescente até a Santa Casa.
“Em dez minutos descobriram que meu filho estava com meningite criptocócica, uma doença que ataca o sistema neurológico causado pelo contato com os pombos”, relata. Desde então, tenta na Justiça, via ação de indenização, ter o tratamento do filho garantido. Hoje, com 19 anos, o jovem está no primeiro ano do ensino médio. Ele ficou cego e escuta apenas com o ouvido esquerdo. A perda no outro ouvido é progressiva.
Um ano depois da tragédia, a prefeitura perdeu a quebra de braço na Justiça, mas recorreu. No dia 11 de março deste ano, foi publicada no Diário da Justiça a decisão dos juízes da 1ª Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos, Nélio Stábile e Aparecida Henrique Barbosa.
Foi exigido do município o depósito em juízo de R$ 183,2 mil somados. A multa é de R$ 1 mil reais por dia em caso de descumprimento. “O valor é referente aos 4 anos de atraso. Eram 10 salários mensais que a prefeitura não quis pagar”, diz o advogado Orlamar Teixeira Gregório.
Agora, de acordo com o processo, o perito Valdeci Balbino fará a primeira inspeção clínica no garoto e após essa fase, que deverá durar 15 dias, será paga a primeira soma em dinheiro.
O advogado diz que é o começo de uma luta, que inclui indenização por danos. A ação pede também uma pensão para o rapaz até ele completar 60 anos.
Na segunda-feira, um funcionário da Procuradoria Jurídica da prefeitura esteve ao Fórum de Campo Grande e adiantou ao Campo Grande News que o município vai pagar o que deve ao adolescente.
Dessa vez, a família, que sobrevive de Bolsa Escola e de bicos do pai como eletricista, poderá ter os anos de sofrimentos amenizados. “Se for preciso gastarei até o último centavo no tratamento do meu menino”, diz o pai, que desconhecia a nova decisão da Justiça até ser informado pela reportagem.
O pai diz ainda que a administração municipal, na época em que foi informada do problema, não auxiliou a família no tratamento. Hoje, Clodoary Oliveira já antecipa a gratidão ao Município em reconhecer, de acordo com ele, a importância do pagamento da compensação para uma futura indenização. Uma forma de amenizar o sofrimento da família e garantir qualidade de vida ao filho.
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