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Adolescentes índias sofrem abuso em hospitais do Acre

mar 24, 2005 | Geral

Dois casos de violência sexual contra mulheres indígenas menores de idade ocorridos no último fim de semana estão sendo investigados pela regional do Acre da Fundação Nacional do Índio (Funai). Ambos os casos aconteceram em hospitais administrados pelo governo federal. O primeiro, o estupro de uma garota de 16 anos da etnia kulina aconteceu no sábado, na Casa do Índio, administrada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O outro caso, no domingo, de abuso sexual contra uma adolescente da etnia apurinã, de 15 anos, grávida, ocorreu na Unidade Mista de Saúde, de administração estadual e federal, em Boca do Acre, município a 1.038 quilômetros de Manaus.

De acordo com o administrador da Funai no Acre, Antonio Apurinã, da etnia do mesmo nome, o caso de Rio Branco foi registrado na segunda-feira na Delegacia da Mulher. A garota estaria internada na Casa do Índio há uma semana, com sintomas de malária. “O caso foi muito violento, e houve dificuldade de entender a garota, que fala pouco português. Mas o estuprador está sendo procurado e, segundo os policiais, foi um pedreiro que fazia reforma no prédio do hospital”, disse Antonio Apurinã.

O caso de Boca do Acre, segundo o administrador, ainda não chegou oficialmente à Funai, mas já está sendo apurado. “Estamos orientando para que seja feito boletim de ocorrência na delegacia, já que o fato só foi comunicado a políticos e, agora, ao promotor do município”, disse o administrador da cidade. O deputado estadual Eron Bezerra (PCdoB) relatou o caso de Boca do Acre no plenário da Assembléia Legislativa na tarde de ontem.

Segundo o relato do deputado, ouvido do presidente da Câmara de Boca do Acre, Francisco Rodrigues da Silva, a adolescente teria relatado o caso às enfermeiras Aldecy Campos, Nádia Neto de Souza, Socorro Santos e Socorro Cruz. Segundo o relato, no domingo, enquanto sentia as dores do parto em uma sala do hospital, o médico Luis Feitosa Costa entrou, trancou a sala por dentro e teria obrigado a garota a praticar sexo oral. A adolescente deu à luz um menino, na noite de domingo.

De acordo com o administrador do hospital, Antonio Carlos Lopes, o médico sumiu do hospital e do município no Domingo. “Comunicamos o caso, na segunda-feira, à secretaria estadual de Saúde e ao promotor do município, que ficou de ouvir as enfermeiras e a garota hoje”, afirmou. A secretaria de estado da Saúde (Susam) informou que abriu sindicância para apurar a denúncia contra o médico Lúcio Feitosa Costa e que ele foi afastado de suas funções. O promotor do município, Edmilson da Costa Barreiros Júnior, ouviu no fim da tarde de ontem o relato da adolescente e das enfermeiras.

admin
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