O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, rebateu as críticas feitas ao comando brasileiro das forças de paz da ONU no Haiti. Em relatório divulgado na última segunda-feira, a ONG Centro de Justiça Global e a Escola de Direito da Universidade de Harvard acusaram os militares brasileiros de descumprir regras da ONU e não conter a violência naquele país. “Isso é uma acusação irresponsável e leviana, com objetivo de criar espuma”, desabafou Marco Aurélio.
Segundo ele, o relatório não resistirá a uma avaliação mais acurada, pois as denúncias não estão acompanhados de provas. “O governo brasileiro não tem intenção de encobrir nada”, disse Marco Aurélio. “Se houvesse problemas, nós iríamos enfrentá-los, mas estamos tranqüilos em relação à atuação das forças de paz”.
O assessor internacional do Planalto reclamou mais uma vez a prometida ajuda financeira internacional para a reconstrução do Haiti, que ainda não foi dada. Marco Aurélio disse que, se o assunto for abordado no encontro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá hoje, no Planalto, com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, o presidente deverá pedir que o governo norte-americano repasse recursos para a reconstrução das cidades haitianas destruídas pela guerra, e se empenhe para que outros países façam o mesmo.
Marco Aurélio anunciou ainda que, hoje, o ministro-chefe da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, se encontrará com o professor James Cavallaro, diretor associado do Departamento de Direitos Humanos da Escola de Direito de Harvard e diretor de Relações Internacionais da Justiça Global, que coordenou e supervisionou o trabalho. Nilmário deverá contestar as acusações às tropas da ONU.
“As tropas estão lá em cumprimento de um mandato político para procurar, entre outras coisas, criar um novo paradigma de resolução de crises internacionais e, portanto, todo cuidado, seja no uso da força seja no encaminhamento político, é pouco”, comentou Marco Aurélio. Ele disse que as forças de paz ora são acusadas de ser muito violentas ora, excessivamente brandas. “Acredito que não é nem uma coisa nem outra. As forças estão se limitando, estritamente, ao mandato que receberam das Nações Unidas, enfrentando situações muito difíceis.”
“Tem gente que ainda está acostumada com velhos comportamentos militares, musculosos e violentos e não se dá conta de que o papel de Forças Armadas é, sempre que possível, evitar a guerra e desempenhar papel dissuasivo”, completou. As declarações de Marco Aurélio foram dadas ao fim de dois dias de reunião no Planalto com representantes de ONGs que têm interesse em ajudar o Haiti e dos governos do Brasil, do Canadá e do próprio Haiti. O encontro discutiu alternativas políticas, econômicas e sociais para o Haiti.
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