O presidente nacional do PT, José Genoino, disse hoje que o PED (Processo de Eleições Diretas) a ser realizado este ano para renovar as direções do partido será amplo e democrático. O dirigente petista rejeitou a informação divulgada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo de que a discussão do PED seria em torno da proposta de incluir, no programa do partido, questões como o superávit primário e o ajuste fiscal.
Para o dirigente, o PED representará a abertura de um processo de elaboração política onde o PT vai afirmar sua condição de partido de esquerda e reformista, identificado com os ideais igualitários, libertários e democráticos.
“A discussão que o PT vai fazer não se reduz ao aumento do superávit primário e a metas de inflação. O debate será muito mais amplo e em torno do projeto de desenvolvimento do país, da inserção soberana do Brasil no mundo, da viabilização dos investimentos na qualidade e ampliação nas políticas públicas e sociais”, disse hoje Genoino ao Portal do PT, ao avaliar que o projeto estratégico petista não pode se resumir a apenas um governo.
Genoino ressaltou que o debate no partido será aberto e democrático. “O debate começa em maio e vai envolver todo o partido. Todas as correntes terão direito ao debate e acesso aos documentos. Será um processo muito amplo e democrático”, afirmou.
Na discussão, Genoino avalia que a experiência de governo, tanto no plano federal como nos Estados e municípios, será referência fundamental para a elaboração política. “Entre nossas resoluções está a mais importante, que é a do socialismo petista. O PT acumulou uma rica experiência de governo que tem de ser analisada. Tivemos erros, mas no fundamental foi uma experiência correta”, afirmou o presidente do partido.
Reflexão
O momento político e o debate no Congresso também vão balizar as discussões do PED. “Será um momento de reflexão, polêmica e de elaboração. Vai envolver questões como a decisão do governo Lula de não renovar o acordo com o FMI, a nossa disposição de garantir direitos na reforma sindical, como foi feito na reforma da Previdência, quando se garantiu direitos e não privilégios”, disse Genoino, para quem a discussão sobre modificações na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) não deve fazer parte dos debates sobre a reforma sindical.
Genoino entende que resultados como o divulgado ontem pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), de que os acordos salariais em 2004 foram os melhores em oito anos, só reafirmam a política de mudanças do governo Lula. “Esse dado mostra que no nosso governo houve muita negociação e mobilização, houve greves que foram respeitadas e não criminalizadas. Tanto esse dado como a não-renovação do acordo com o FMI, a não-realização de privatizações, a quantidade de dinheiro no crédito popular, a política externa do governo Lula e principalmente o crescimento da economia com redução do desemprego mostram que nossa política econômica não é a continuidade da política do PSDB”, afirmou.
MP 232
O presidente do PT também criticou a oposição a Lula no Congresso, que barrou a aprovação da MP (Medida Provisória) 232, que reduzia a correção da tabela do Imposto de Renda e combatia a sonegação fiscal. “A oposição governou o Brasil por oito anos e aumentou a carga tributária em 10 pontos do PIB. Nós não aumentamos a carga tributária. Pelo contrário, temos o compromisso de completar a reforma tributária para reorganizar todo um sistema de impostos e diminuir a informalidade”, disse o dirigente petista.
Para Genoino, só com essas alterações é que será possível uma redução gradual da carga tributária. O dirigente também reafirmou a disposição do partido e do presidente Lula para o diálogo sobre a questão. “O governo sempre esteve aberto à negociação sobre a MP 232 e continua negociando”, afirmou.
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