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Esquerda disputa comando do PT de olho na relação com governo

abr 21, 2005 | Geral

Insatisfeitas com o comando do PT, as tendências de esquerda do partido vão tentar derrubar o atual presidente José Genoino na eleição interna do partido de olho em um só objetivo: a independência em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva.

As candidaturas da esquerda petista revelam o descontentamento com a submissão do PT de Genoino ao Palácio do Planalto. E, apesar de alguns ministros e do campo majoritário petista defenderem uma candidatura consensual, até agora já surgiram três nomes de oposição na disputa.

Neste final de semana, a deputada federal Maria do Rosário (RS), da corrente centrista Movimento PT, lançou-se na disputa. A Democracia Socialista deve indicar o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont no próximo dia 22, enquanto a Articulação de Esquerda terá como candidato o ex-secretário de Cultura, Esportes e Turismo de Campinas Walter Pomar.

“Esse movimento oposicionista do PT mostra que tem expressão a tese de que as políticas que a maioria vem implementando junto ao governo não tem legitimidade consolidada”, afirmou à Reuters Pont, que classifica Genoino de um “embaixador do governo”.

Salvo surpresas, porém, as candidaturas de Maria do Rosário, Pomar e Pont não têm condições de impor dificuldades à recondução de Genoino ao cargo.

Para aumentar suas chances, as tendências de esquerda tentar encontrar uma chapa única de oposição ao campo majoritário.

“Nós estamos trabalhando em busca de uma candidatura única das várias correntes que lançaram a Carta aos Petistas”, disse Pont. O Movimento PT, de Maria do Rosario, não assinou.

Mas alguns petistas defendem uma acomodação para não expor fraturas dentro do partido e garantir alguma representação da esquerda no comando petista.

“Esse tem sido sempre o desfecho das discussões internas do PT. É importante uma composição que agregue todas as tendências no comando do partido”, defendeu o senador Tião Viana (AC), que apesar de independente se declara simpatizante ao campo majoritário.

O senador Paulo Paim (RS), também independente, acredita que os problemas internos levaram o partido a um enfraquecimento “preocupante” junto à base política.

“O PT não está bem, o governo está bem melhor que o PT. Eu acho muito estranho o PT de Genoino não acompanhar os bons índices do presidente Lula”, afirmou.

A votação para a escolha do próximo presidente do PT ocorre em setembro, para um mandato de dois anos.

admin
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