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União inicia nova ofensiva para atendimento em aldeias

maio 12, 2005 | Geral

O governo Lula faz, a partir desta segunda-feira, mais uma tentativa para resolver os problemas que afetam os 11 mil guaranis-caiuás e terenas da reserva de Dourados – a mais populosa do país. A “comissão interministerial” que chegou a Dourados na manhã desta segunda-feira tem como missão a adoção de medidas práticas para melhorar a vida dos índios, que sofrem com a falta de comida e de infra-estrutura.

Atualmente, 31 crianças desnutridas estão internadas no Centro de
Recuperação Nutricional, o Centrinho, que funciona na Missão Evangélica Caiuá. Até as casas construídas pelo governo nas aldeias viraram ameaça para os índios. No dia 20 de abril, duas das 200 moradias que estão sendo construídas desabaram parcialmente, provocando a suspensão do programa habitacional indígena, que deve ser retomado esta semana.

Embora o prefeito Laerte Tetila (PT) tenha afirmado que a vinda da comissão foi pedido dele, a decisão do governo federal ocorreu logo após um novo escândalo nacional: a permanência de alimentos estocados enquanto os índios continuam passando fome. Toneladas de comida mandada a Dourados pelo programa Fome Zero foram mostradas em rede nacional de televisão guardadas em um depósito improvisado da Funai. Na sexta-feira, o Campo Grande News noticiou que falta armazém para a comida enviada aos índios, já que a prefeitura e o Exército se recusam a continuar estocando os alimentos e a Funai e a Funasa afirmam não ter estrutura para o armazenamento.

Na primeira entrevista coletiva em Dourados, nesta manhã, o coordenador da comissão interministerial, o assessor especial do Palácio do Planalto, César Alvarez, disse que a responsabilidade pela distribuição dos alimentos aos índios é coletiva e afirmou não ter vindo a Mato Grosso do Sul para buscar culpados. Esta é a segunda vez que o próprio presidente Lula determina providências para resolver os problemas indígenas. A outra foi em fevereiro, quando o presidente esteve em Campo Grande e Sidrolândia. Naquela época, o presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Valdi Camarcio Bezerra, esteve em Dourados, mas as medidas adotadas não foram suficientes para melhorar a situação dos índios. Camarcio integra a comissão que chegou nesta segunda-feira a Dourados. Além dele e do assessor técnico do Palácio do Planalto, César Alvarez, estão na cidade o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Mércio Pereira Gomes, o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Alexandre Padilha, a secretária nacional de Habitação, Inês da Silva Magalhães, a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Helena Carvalho, e Gecilda da Silva Viana, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

O primeiro integrante do governo federal enviado a MS para tentar resolver o problema da miséria nas aldeias foi o secretário de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, José Giacomo Baccarin, que esteve em Dourados ainda em janeiro, logo após as primeiras mortes por desnutrição. As medidas anunciadas por Baccarin, no entanto, surtiram pouco efeito e as crianças índias continuaram morrendo de fome. Os problemas de falta de alimentos, alcoolismo, drogas e miséria entre os índios da reserva de Dourados são antigos, mas se tornaram explícitos desde janeiro deste ano, quando crianças desnutridas começaram a morrer nas aldeias. Não existem números precisos sobre as mortes, mas estima-se que pelo menos 20 crianças índias tenham morrido em conseqüência da desnutrição este ano em Dourados. A visita da comissão interministerial às aldeias deve começar à tarde. O grupo deve ficar em Dourados pelo menos até quarta-feira.

admin
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