O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu oficialmente, na manhã desta terça-feira (10), em Brasília, a Cúpula América do Sul – Países Árabes, que conta com representantes de 34 países. O evento, inédito, expressa a consolidação dos esforços do governo brasileiro para suas ampliar as relações políticas e econômicas com o maior número possível de nações. Ao discursar, Lula afirmou que o encontro é uma oportunidade histórica de construção “de uma ponte de sólida cooperação entre a América do Sul e o mundo árabe”. Ele ainda defendeu um mundo sem barreiras comerciais e criticou o protecionismo dos países ricos.
Durante a abertura, discursaram também os presidentes da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, representando a Liga Árabe; e do Peru, Alejandro Toledo, representando a Comunidade Sul-americana de Nações; e o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa. Os três destacaram a importância do encontro para ambas as regiões e citaram como metas o crescimento das relações comerciais entre os países, a paz mundial e o combate ao terrorismo.
Nova geografia
Em um curto pronunciamento, Lula ressaltou que a realização da cúpula com a participação dos líderes árabes é resultado do trabalho não só do governo brasileiro, mas de todas as lideranças sul-americanas. “Nosso encontro é uma demonstração de confiança no diálogo como forma de aproximar países distantes, culturas distintas e percepções diferentes do mundo”. Segundo ele, o grande desafio do encontro entre os países é desenhar uma nova geografia econômica, social e internacional.
O presidente brasileiro ainda criticou os subsídios dos países ricos. “É necessário promover a eqüidade em um sistema de comércio profundamente marcado pela assimetria”, ressaltou.
De acordo com o presidente, os participantes da cúpula não estão reunidos apenas em busca de vantagens econômicas e comerciais, mas também na defesa da democratização dos organismos internacionais, para que a voz dos países em desenvolvimento seja ouvida.
Lula também ressaltou que o encontro só terá sentido com a realização de medidas que combatam a pobreza no mundo. “Esse esforço só será recompensado com ações de combate à desigualdade social, de defesa dos direitos humanos e o aperfeiçoamento das instituições democráticas. O que move os líderes aqui presentes é a necessidade de trabalharmos em um esforço político que contribua para um mundo de paz, democracia e justiça social”, afirmou o presidente na cerimônia de abertura.
Cooperação ampla
O presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, e o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, ressaltaram a necessidade de que a cooperação entre os países não se restrinja ao âmbito econômico, mas busque também justiça, paz e respeito aos direitos humanos.
Para Abdelaziz Bouteflika, os problemas do mundo árabe são de todos e é preciso trabalhar de todas as formas para que os conflitos sejam resolvidos. Moussa destacou que um dos objetivos da cúpula é a luta contra o terrorismo que, na sua visão, atrapalha o crescimento e o desenvolvimento das nações.
O presidente do Peru, Alejandro Toledo, falou sobre a importância de inserir a região sul-americana no mundo com uma agenda própria. Ele defendeu o multilateralismo e a ampla vigência das instituições internacionais. “Nosso desejo é possuir uma voz potente e uma comunidade sul-americana forte no mundo, que gerencie seus próprios interesses”, afirmou.
Para Toledo, o encontro vai aproximar “as coincidências” dos países participantes no âmbito do comércio internacional e no desenvolvimento das nações.
Acordos
Após a abertura, Lula e os chefes de Estado e de governo se deslocaram para o Hotel Blue Tree Park onde participaram da primeira reunião plenária.
No encontro, os ministros das Relações Exteriores do Mercosul e dos países que fazem parte do Conselho de Cooperação do Golfo assinaram acordo de cooperação econômica. O documento, que precede o acordo de preferências tarifárias, é o primeiro passo das negociações para a criação de uma zona de livre comércio entre as regiões.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o documento final da Cúpula, que deve ser assinado pelos chefes de Estado e de governo participantes, faz “uma condenação clara ao terrorismo”. A íntegra do texto será divulgada nesta quarta-feira, ao final da Cúpula. O chanceler brasileiro coordenou hoje reunião com mais de 30 ministros árabes e sul-americanos para consolidar o texto do documento que foi debatido hoje no Blue Tree Park Hotel.
Amorim disse que, além da condenação ao terrorismo, o documento tem um parágrafo sobre “o direito à resistência à ocupação estrangeira, de acordo com o direito humanitário internacional”. Segundo o ministro, o texto preparado pelos chanceleres trata também da soberania nas Ilhas Malvinas, que é disputada pela Argentina e pela Inglaterra.
À noite, Lula homenageará os chefes de Estado e de governo participantes da Cúpula com uma recepção no Itamaraty.
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