O parecer sobre o processo de perda de mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que está sendo apresentado hoje pelo relator, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), ao Conselho de Ética da Câmara, só deve ser votado na próxima quinta-feira.
O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) já confirmou que vai pedir vistas ao parecer. Outro integrante do Conselho também pedirá vistas, mas conjunta, para evitar novos atrasos.
Carneiro alega, no parecer, que não há nada de concreto que confirme as denúncias do suposto pagamento de mesada a parlamentares da base em troca de apoio político, o chamado “mensalão”, denunciado por Jefferson. “Há muitos indícios, mas nada foi provado.”
O relator aponta também que Jefferson admitiu prática de crime eleitoral após confessar ter recebido R$ 4 milhões de caixa dois do PT.
Carneiro diz ainda que o deputado mentiu ao Conselho sobre a realização de uma reunião com a bancada do PTB para tratar da proposta do “mensalão”. A reunião foi desmentida pelo líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PE), em seu depoimento ao Conselho.
Processos
O deputado fluminense tem três processos abertos contra ele pela presidência do PL, que o acusa de quebra de decoro parlamentar e pede a perda de seu mandato em todas as ações.
Na primeira, Jefferson é acusado de quebra de decoro por ter feito as denúncias sobre o “mensalão” sem apresentar provas. O segundo processo, que só será encerrado em setembro, acusa o deputado de ter recebido ilegalmente recursos de campanha.
A terceira representação acusa o ex-presidente do PTB de quebra de decoro por ter participação na ocultação de cargas roubadas pela Polícia Rodoviária Federal.
José Dirceu
O relator do processo contra o deputado José Dirceu (PT-SP), deputado Júlio Delgado (PSB-MG), avaliou que será difícil iniciar o processo de tomada de depoimentos sobre o caso enquanto o Conselho estiver mobilizado para votar o processo contra Jefferson.
José Dirceu é acusado pelo PTB de quebra de decoro parlamentar por práticas irregulares nos trabalhos legislativos –“comando do esquema do ‘mensalão'”.
Segundo o relator, oito testemunhas já foram convidadas para depor. Foram arroladas por Dirceu cinco testemunhas de defesa –Aldo Rebelo (PC do B-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP), Eduardo Campos (PSB-PE), o ministro Márcio Thomaz Bastos e o escritor Fernando Morais.
A acusação arrolou as testemunhas: Kátia Rabelo, presidente do Banco Rural, e Flávio Guimarães, presidente do banco BMG. Delgado achou conveniente convidar ainda o ex-presidente do PT, José Genoino, que não foi ouvido em nenhum momento.
O relator acredita que depoimentos como o do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira são importantes, mas, como eles já falaram várias vezes, Delgado decidiu aproveitar os depoimentos já prestados por eles. Caso haja dúvidas, eles serão convidados
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