Os presidentes e relatores da CPI dos Correios e do Mensalão decidiram hoje, em reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concluir em conjunto o relatório com o nome dos 18 parlamentares que sacaram recursos das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.
O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), apresentaria o documento hoje sem consultar os integrantes da CPI do Mensalão, que foi criada justamente para investigar os saques de dinheiro das contas de Valério para compor o suposto “mensalão”. A decisão de hoje posterga a apresentação da listagem para a quinta-feira.
A decisão, elogiada por Serraglio, amplia a pressão política sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), que ontem disse que não encaminharia a listagem para o Conselho de Ética. “Com duas CPIs encaminhando [o relatório parcial], o quadro muda um pouco”, afirmou o relator dos Correios.
Receio verbalizado
Apesar da concordância na divisão da tarefa, havia resistência de integrantes governistas e oposicionistas da CPI dos Correios em remeter o documento para a CPI do Mensalão. O receio verbalizado por membros da comissão era de que não houvesse punição para os parlamentares que constavam da lista. O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) chegou a classificar a comissão que investiga o pagamento de mesadas de CPI do “abafão”.
Na reunião, convocada na tentativa de evitar confronto entre os trabalhos das três comissões parlamentares, Calheiros decidiu em conjunto com os integrantes das CPIs criar uma instância que congregasse os três relatores e três presidentes para uma avaliação prévia dos trabalhos nas segundas-feiras.
Essa instância definirá, por exemplo, que depoimentos comuns poderão ser feitos em sessão conjunta. Seria o caso do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho Barcelona, convocado para as três CPIs. Ficará também a cargo dessa instância definir o foco de cada uma das comissões.
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