O site da revista semanal “Veja” divulgou nesta terça-feira documento assinado pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), datado de 2002, que prorroga a concessão para o restaurante do empresário Sebastião Buani no anexo 4 do Congresso até 2005.
Severino havia negado a assinatura desse documento, que na prática autoriza um período total de 5 anos de concessão para o restaurante de Buani. A revista afirma que submeteu o documento a um especialista, que confirmou sua autenticidade.
O empresário Buani está no centro do mais novo escândalo que atinge o Legislativo: a suspeita de que o presidente da Câmara tenha recebido propina de Buani –o chamado “mensalinho”– para estender a concessão.
Se confirmada sua legitimidade, a assinatura de Severino constitui um complicador para sua situação à frente da presidência da Câmara: à época da assinatura, o deputado do PP era primeiro-secretário da Casa e não tinha, portanto, autoridade para estender a concessão.
De acordo com a revista, a comprovação de que Severino realmente assinou tal documento constitui quebra de decoro e crime previsto pela Lei das Licitações –beneficiar de forma ilegal um concessionário de serviço público– com pena prevista de 2 a 4 anos de cadeia.
Polêmica
Pode se datar o início do “inferno astral” de Severino a partir de sua entrevista à Folha de S. Paulo, publicada no último dia 30. Nesta entrevista, ele defende a ação de penas mais brandas para os parlamentares que foram beneficiados por saques das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O teor das declações provocou polêmica na Casa e um bate-boca que ganhou as páginas dos jornais entre Severino e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ).
No final de semana passado, as revistas semanais trouxeram reportagens com as primeiras denúncias sobre o suposto pagamento de propina a Severino. Conforme as revistas, Severino teria recebido um “mensalinho” de R$ 10 mil ao longo de 2003 de Buani, sócio da empresa Buani & Paulucci Ltda. O presidente da Câmara negou o recebimento da propinas.
O deputado seria pago para permitir que o empresário renovasse os contratos de arrendamento que mantinha com a Câmara. Buani comanda a rede de restaurantes Fiorela –um deles fica localizado no 10º andar da Casa. Ontem, o empresário negou o pagamento de propina, durante depoimento à comissão de sindicância da Câmara.
No texto publicado em seu site, a revista “Veja” revela que sua fonte para a primeira reportagem foi o ex-empregado de Buani e ex-gerente do restaurante da Câmara, Izeilton Carvalho, que presta depoimento nesta tarde à Polícia Federal.
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