Três pesquisadores do Banco do Nordeste estudaram o perfil das famílias beneficiadas pelo programa Fome Zero, por meio de programas de transferência de renda como o Bolsa Família. Divulgado esta semana, o levantamento feito por eles mostra as ações públicas necessárias para que as famílias vivam sem complementação da renda. Entre elas, promoção de saneamento básico e acesso a terra.
Um dos autores do estudo, Ayrton Valente Júnior, revela que metade dos entrevistados para o estudo tinham entre 1,46 metros e 1,55 metros de altura. Cerca de 60% pesavam menos que 60 quilos. A expectativa de vida entre as famílias é menor do que a média nacional (68,55 anos). Em Quixelô, no Ceará, a diferença é pequena, de dois anos (66,6 anos), mas em Guaribas ela cai para 56,11 anos.
São números que, segundo os pesquisadores, indicam a ausência de investimentos em infra-estrutura. Sem água potável, por exemplo, mesmo se bem alimentadas, as famílias estão mais expostas a doenças. “Algumas ações são fundamentais, particularmente coleta de lixo, água encanada e esgoto sanitário, além de investimento em educação e geração de emprego. São essas políticas públicas que levam à janela de saída do programa”, argumenta Ayrton.
Como a maior parte das famílias beneficiadas pelo Fome Zero trabalha com agricultura, os pesquisadores do Banco do Nordeste recomendam a solução de questões ligadas à posse da terra como caminho para a inclusão social.
“Quando você tem acesso a terra, de cara você tem acesso a trabalho, a moradia e um espaço para você mesmo produzir seu alimento”, diz a pesquisadora Maria Odete Alves, para quem o Fome Zero tem o mérito de proporcionar uma elevação da auto-estima dos beneficiados.”Ao ir ao banco para receber aquele dinheiro, ele passa a ter outra perspectiva de mundo e isso é um ganho muito bom em termos de cidadania.”
O estudo “Fome Zero no Nordeste: construindo uma linha de base para a avaliação do programa” foi publicado pelo escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), do Banco do Nordeste.
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