Mais de mil índios fizeram vestibular neste domingo (19) para se candidatar a dez vagas na UNB (Universidade de Brasília). Eles estão distribuídos em 9 pólos da UnB nos Estados e se candidatam aos cursos de Biologia, Ciências Farmacêuticas, Enfermagem e Obstetrícia, Medicina e Nutrição.
A iniciativa faz parte de convênio firmado em 2004 entre a UnB e a Fundação Nacional do Índio. Naquele ano, 15 indígenas que estudavam em faculdades de Brasília pediram transferência para a universidade pública.
O reitor da UnB, Timothy Mulholland, espera conseguir 20 vagas por ano para os índios. As vagas são extras, ou seja, não fazem parte da oferta dos vestibulares e do Programa de Avaliação Seriada (PAS), conforme explicou o reitor em comunicado divulgado hoje. Os índios que estão fazendo vestibular hoje se inscreveram nos postos regionais da Funai.
Para o gerente de acesso à Educação Superior da Universidade de Brasília, Paulo Portela, oferecer essas vagas aos índios “está dentro de um plano de metas que a UnB traçou há alguns anos, visando a integração étnica, social e racial dos indígenas”. Segundo Portela, “eles fazem um vestibular mais simplificado e terão acompanhamento para a eventualidade de sentirem mais dificuldade de aprender que os outros estudantes, com os quais estarão dividindo cadeiras. Nosso objetivo é que eles saiam daqui diplomados”, acentuou Paulo Portela.
Para a Coordenadora de Pedagogia da Funai, Neide Martins Siqueira, o convênio com a UNB “representa um projeto de futuro, que pode ajudar no alcance da autonomia indígena, podendo na própria tribo ajudar no atendimento da saúde, com a formação de um médico, nutricionista ou pesquisador”.
Os pólos da UnB onde estão sendo feitas as provas são, além de Brasília, Manaus, São Gabriel da Cachoedira, Tabatinga, Porto Seguro, Recife, Belém, Boa Vista, Campo Grande.
Interesse local
Fernando Andori Carajé mora na Ilha do Bananal, no estado de Tocantins e pertence à aldeia Macaúba. Ele veio à Brasília para concorrer a 10 vagas na Universidade de Brasília (UnB), disputadas por cerca de 1.180 indígenas.
A prova envolve língua portuguesa, redação e matemática. Eles estão distribuídos em nove pólos da UnB nos estados e se candidatam aos cursos de Biologia, Ciências Farmacêuticas, Enfermagem e Obstetrícia, Medicina e Nutrição.
O vice-presidente da Funai, Roberto Lustosa, afirmou, em nota divulgada pela UnB, que a demanda pela área científica decorre do interesse em atender suas próprias comunidades. “É importante que os candidatos usem essa bagagem intelectual no desenvolvimento dos locais de origem”, avaliou Lustosa.
Fernando Carajé é um exemplo do que fala Lustosa. Ele disse que pretende fazer medicina para trabalhar em sua comunidade.
É o mesmo caso de Mavira Fogaça Carajá. Nasceu em Brasília, onde mora com seus pais, índios Carajás. Ela já está fazendo o curso de Tecnóloga em Radiologia Médica. Também pretende fazer medicina para trabalhar na aldeia de sua família, na Ilha do Bananal.
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