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Morrem mais duas crianças indígenas em acampamento no Mato Grosso do Sul

mar 30, 2006 | Geral

A comunidade Kaiowá Guarani amanheceu desolada e revoltada. Na noite passada, dia 27, faleceram Celiandra Peralta, de um ano e um mês, e Osvaldo Barbosa, de 15 dias. Segundo informa o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), as mortes das duas crianças transtornaram os mais de 500 acampados que estão a mais de cem dias na beira da estrada, diante de sua terra tradicional, em Nhanderu Marangatu, aguardando uma decisão judicial do Supremo Tribunal Federal.

“Nesse tempo, aqui na beira da estrada, já perdemos 4 crianças. É um sofrimento muito grande. É muito pesado. Não agüentamos mais, vamos fazer o que é possível”, comunica um dos professores da comunidade, entre lágrimas e revolta.

Já os pais de Celiandra estranharam muito a morte súbita da filhinha e estão inconformados. Há suspeita de que tenha sido envenenada quando retornaram para limpar o rancho de onde foram expulsos. “Ali a minha filha ainda estava brincando e correndo. Daí há pouco começou a vomitar, e acabou morrendo…”, diz Luiza Vilhalva, a mãe da criança, que veio a falecer no caminho, quando estava sendo removida para hospital em Dourados.

Diante dessa dramática realidade, a comunidade reafirma a decisão tomada a poucos dias, de retornarem à terra homologada.

No sábado a plenária dos Movimentos Sociais do Mato Grosso do Sul enviou carta aos ministros do Supremo Tribunal Federal pedindo urgência no julgamento do Mandado de Segurança 25.463 que suspendeu a homologação da Terra Indígena Nhanderu Marangatu. Na mesma ocasião os movimentos pediam ações urgentes: “que se tomem providências imediatas por parte do Poder Público para que definitivamente se resolva a questão da demarcação das terras indígenas, que o judiciário passe a compreender que suas decisões, desconsiderando os direitos garantidos na Constituição Federal, somente causam mais desagregação social para estes povos e o acirramento dos conflitos no Mato Grosso do Sul”.

admin
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