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Entidades buscam diálogo com governo para manter convênios

fev 15, 2007 | Geral

As entidades de educação especial de Campo Grande e do interior do Estado vão buscar o diálogo com o governador André Puccinelli para manter os convênios que garantem às instituições a cedência de professores. Em reunião na tarde desta terça-feira no ISMAC (Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos), representantes de 23 entidades decidiram por unanimidade rejeitar proposta do governo que previa o fim dos acordos, tendo como contrapartida do Estado o repasse de recursos. Com a proposta, o executivo quer transferir para as instituições o ônus da contratação de profissionais e ainda reduzir em 20% os gastos com a educação especial. Mas as entidades pretendem se reunir na quinta-feira com Puccinelli e entregar ao governador um documento rejeitando a proposta e buscando a sensibilização para o problema. O encontro deve ocorrer na Assembléia Legislativa, antes do início dos trabalhos da Casa.

Outro encaminhamento tomado pelas instituições nesta tarde é de que as aulas não serão iniciadas até que as entidades e o governo cheguem a um acordo. Para aquelas escolas que já começaram os trabalhos o jeito foi paralisar as atividades como é o caso da Orionópolis Sul-Mato-Grossense. Conforme o diretor presidente da entidade, Padre Braz Ricardo, sem a cedência dos profissionais não será possível retomar o serviço à comunidade, que atende atualmente 42 pessoas com deficiências múltiplas. O caso é preocupante também no ISMAC, onde todos os profissionais do Instituto são cedidos pelo Estado. Já na Apae, são 30 educadores, sendo que 25 deles são convocados, ou seja, não têm cargos efetivos no Estado. E são justamente estes casos que o governo pretende eliminar: as convocações para as escolas especiais. Diariamente a Apae recebe cerca de 400 crianças, somente na escola da instituição.

Na Pestalozzi de Aquidauana não é diferente. No município todos os professores da entidade são convocados. “Nós não estamos falando apenas de cortes financeiros, mas sim de vidas humanas que deixarão de receber atendimento adequado se essa proposta do governo prevalecer”, declarou a coordenadora geral da instituição, Aline Araújo. Além da Educação, o caso se repete em outros setores como a saúde. De acordo com Paulo Metello, da ACBR (Associação Campo-grandense Beneficente de Reabilitação), a secretaria estadual de Saúde já oficializou à entidade que não vai disponibilizará mais, em forma de cedência, os fisioterapeutas para a instituição. “O estado não pode querer economizar, nós estamos falando de pessoas com necessidades especiais. Não é mercadoria”, disparou.

A Comissão de Educação da Assembléia Legislativa também foi contactada pelas entidades. Na reunião desta terça-feira, o presidente da Comissão, deputado Pedro Kemp (PT), participou do encontro e informou que vêm dialogando com os demais parlamentares da casa para que contribuam na discussão com governo.

admin
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