
Os índios guarani-caiuás elogiaram nesta manhã a decisão da desembargadora do TRF (Tribunal Regional Federal), Consuelo Yoshida, que dá prazo de 20 dias para solução do conflito, mas disseram que não vão respeitar o prazo e continuarão nas 14 fazendas ocupadas, na cidade de Japorã, extremo Sul de Mato Grosso do Sul. “A terra é nossa”, disse o líder indígena Tedju, de 64 anos, ao ser informado da decisão pela reportagem do Campo Grande News.
Ele relatou aos outros índios a informação e houve consenso sobre a continuidade nas áreas. Tedju chegou a dizer que a briga pela terra era deles e não havia interferência da Funai (Fundação Nacional do Índio). Em seu despacho, a juíza determina que o órgão, União e Ministério Público Federal formem comissão em 20 dias e encaminhem os procedimentos sobre a regularização fundiária. Conforme os índios, esse é um problema da Funai e não teria relação com a permanência deles nas fazendas.
Tedju preferiu não comentar a possibilidade de novo enfrentamento com os fazendeiros, a exemplo do que ocorreu ontem à tarde. Apenas disse que não interesse dos índios o conflito.
Delasantos, de 74 anos, também disse que a ocupação era um problema para eles, os índios, resolverem. Chamando o lugar de “Yvykatu”, terra boa, ele disse que com a chegada dos não índios a caça acabou. “O branco trouxe dinheiro e o alimento e tirou a mata”, afirmou. Segundo ele disse lembrar-se da infância, na época da colonização, os fazendeiros ganharam a amizade dos índios. Gumercindo Fernandes disse que só sobrou “braquiária” no local.
Nesta manhã, na fazenda São Jorge, uma das maiores ocupadas por índios, cerca de 50 indígenas receberam a equipe de reportagem. Segundo eles, os demais indígenas estavam espalhados pelas outras fazendas. A Funai ainda não havia mandado representantes para conversar com o grupo.
(Maristela Brunetto e Jacqueline Lopes)
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