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PF liberta 52 trabalhadores em fazenda no Pará

fev 19, 2004 | Geral


Proprietário é acusado de manter empregados em regime de escravidão no sul do Estado

Belém – O fazendeiro Altamir Soares da Costa, proprietário da Fazenda Macaúba, a 150 quilômetros de Marabá, sul do Pará, está preso desde domingo sob acusação de manter em suas terras 52 trabalhadores em regime de escravidão. A maioria foi contratada no Maranhão e Tocantins e estava no local havia 60 dias, trabalhando em troca de comida, sem salário. Entre os empregados estavam três crianças e uma mulher grávida.

Durante a prisão, dois revólveres calibres 32 e 38 e uma espingarda foram apreendidos na fazenda. O “gato” – responsável pela contratação dos trabalhadores – conhecido por Gilmar fugiu armado pela mata, levando uma carabina, antes da chegada dos fiscais do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e dos policiais federais.

Costa prestou depoimento ontem e se comprometeu a pagar as indenizações dos trabalhadores hoje. Segundo a PF, o fazendeiro foi indiciado há uma semana por falsificar uma guia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para transportar madeira retirada ilegalmente de matas da região.

O procurador do Ministério Público do Trabalho Marcelo Ribeiro informou que os trabalhadores foram contratados para derrubar uma área de floresta da fazenda e transformá-la em pasto. Os garotos de 14 e 16 anos e a menina de 11 anos, que trabalhava como babá para a cozinheira do barracão onde os trabalhadores dormiam, deverão voltar para seus Estados de origem. Mas a viagem só será feita depois que todos os trabalhadores tiverem recebido seus direitos trabalhistas.

Ribeiro disse que a fiscalização encontrou na fazenda todos os elementos que caracterizam a redução dos trabalhadores a condição análoga a de escravos. A 10 quilômetros da fazenda, os agentes da PF descobriram uma trilha aberta na mata fechada, onde os peões eram vigiados por Gilmar, que também exercia o papel de capataz.

Dívida – “Nunca peguei um centavo desde que fui trabalhar lá”, contou o maranhense A.S., de 27 anos. Ele disse que todos eram impedidos de deixar a fazenda a não ser que pagassem pela comida vendida pelo fazendeiro. O preço cobrado, disse, era maior que em qualquer pensão ou hotel de Marabá. Para Ribeiro, as declarações dos trabalhadores comprovam que havia “servidão por dívida” no local.

(Carlos Mendes)

Publicado em 17.02.2004

admin
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