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Unesco: Jovens iniciam vida sexual cada vez mais cedo

mar 11, 2004 | Geral

 
Brasília – A iniciação sexual acontece cada vez mais cedo na vida de um jovem. Segundo uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgada nesta segunda-feira, os homens experimentam a primeira relação entre os 13,9 e os 14,5 anos e as mulheres entre os 15,2 e os 16 anos.

A pesquisa compõe um livro Juventude e Sexualidade, lançado Unesco e organizado pelas especialistas Miriam Abramovay, Mary Castro e Lorena Bernadete da Silva. Foram ouvidos 16.422 alunos – de escolas públicas e privadas – de Belém, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Vitória e Distrito Federal, entre 10 e 24 anos. Também foram entrevistados 4.532 pais e 3.099 professores de ensino fundamental e médio.

O levantamento teve o apoio do Ministério da Educação, Ministério da Saúde, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e Instituto Ayrton Senna.

Preconceito

Influenciados pelo meio em que vivem ou, encorajados pela quantidade de informação disponível sobre o tema, a juventude brasileira dita suas próprias normas neste campo. O levantamento revela que os jovens têm preconceitos comuns aos observados durante a pré-revolução sexual: cerca de um quarto dos entrevistados não gostariam de ter um colega de classe homossexual.

A integrante do ‘Movimento Delas’, Yone Lndgren, diz que os que mais sofrem com o preconceito, na escola, são os travestis. Numa pesquisa realizada pela organização, em 2003, 90% dos travestis da Zona Oeste do Rio de Janeiro que abandonaram os estudos o fizeram por causa da discriminação. Os outros 10% deixaram a escola porque fugiram de casa.

A homofobia também existe entre os pais. Em Fortaleza (CE), os que mencionam que não gostariam que seus filhos estudassem com homossexuais chega a 48%. O menor índice foi registrado em Porto Alegre (RS), 22%.

O resultado da pesquisa é um retrato dos valores, experiências, apreensões e dificuldades vividas pelos jovens, segundo uma das idealizadoras do projeto. “Precisamos ter cuidado com os resultados médios, porque o brasileiro não é médio. Há muitas diferenças regionais”, adverte Miriam Abramovay.

Mães solteiras

A gravidez em adolescentes e, principalmente, o fato de elas assumirem sozinha um filho ainda é tabu no país, segundo a pesquisa realizada.

Dos estudantes, entre 2,2% e 4,7% afirmaram que não gostariam de ter como colegas de classe mães solteiras. “Aparentemente, tais proporções parecem baixas, contudo são preocupantes, tratando-se de preconceitos”, afirmam as coordenadoras da pesquisa. Entre os pais, o preconceito é maior, sendo que 7,5% declararam ser contrários à idéia de que seus filhos estudem junto com mães solteiras.

A taxa de abandono dos estudos por causa da gravidez é maior em Belém (6%) e Macapá (6,1%). Nas outras capitais, o índice varia de 3,5% a 0,2%. “Uma das questões que está colocada no pacto pela redução da mortalidade materna é justamente a necessidade de trabalhar desde a juventude uma concepção de saúde integral da mulher para que possamos reduzir as taxas que temos hoje”, comentou a secretária especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire.

O estudo também mostra mudanças de comportamento quanto à importância da virgindade. Os homens tendem a dar menos importância à virgindade que as mulheres. Em média, 68% afirmam não dar importância a essa questão. Quando o assunto é a virgindade masculina, o resultado é inverso: mais homens se mostraram favoráveis à virgindade até o casamento do que as mulheres.

A pesquisadora Mary Castro ressalta que, apesar da imagem de promiscuidade que os adultos costumam fazer dos jovens, a pesquisa mostra que eles preferem ter apenas um parceiro. Em média, 70% dos adolescentes afirmam que tiveram relação sexual com apenas um parceiro. Na maioria das capitais pesquisadas, 80% recusam a perspectiva da existência do amor sem fidelidade. E mais de um terço acredita que seus parceiros fazem sexo apenas com eles.

O método contraceptivo mais usado é a camisinha, seguido pela pílula anticoncepcional e a tabelinha. Em média, mais da metade dos entrevistados, em todas as cidades pesquisadas, disseram que usam preservativo em todas as relações sexuais. Apenas em Fortaleza e Salvador, os resultados revelaram menor preocupação dos jovens em se prevenir contra a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids – 36% e 39,2%, respectivamente, disseram que sempre usam camisinha.

(Cecília Jorge)

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