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Após polêmica, 4.400 tentam cotas na UnB

abr 29, 2004 | Geral

Mesmo com a polêmica gerada pela exigência de foto para comprovar a cor da pele do candidato, a UnB (Universidade de Brasília) registrou 4.400 inscritos para disputar, no próximo vestibular, as vagas oferecidas dentro do regime de cotas para negros. O montante representa 18,7% do total de inscrições registradas pela universidade para a prova: 23.500.

Os alunos inscritos no sistema de cotas ainda passarão por uma triagem. Por isso, só no dia 21 de maio terão seus nomes confirmados. É a partir daí que será possível saber a relação final de candidatos por vaga. Por enquanto, ela está em mais de 11 para uma.

Os estudantes com a inscrição homologada para as cotas vão concorrer a 392 vagas de graduação, que representam 20% do total oferecido pela universidade.

Alunos não considerados negros ou pardos pela comissão julgadora serão automaticamente incluídos no sistema universal. Ou seja: vão concorrer a uma das 1.602 vagas que restam.

Primeira universidade federal do país a adotar a reserva de vagas para negros, a UnB optou pela análise das fotos com o argumento de que tenta evitar fraudes.

“Sabemos que haverá casos de irmãos em que um terá a inscrição homologada e outro não. A avaliação será feita pelo fenótipo, cor da pele e características gerais da raça. Porque esses são os fatores que levam ao preconceito”, disse a relatora da Comissão de Implantação do Plano de Metas de Integração Social, Étnica e Racial da UnB, Dione Moura.

Houve estudantes que se inscreveram pelas cotas já prevendo a “desclassificação”, mas prometendo entrar na Justiça contra a decisão.

Outros, como Rodrigo Pedreira, 18, candidato ao curso de ciências sociais, embora tenham se autodeclarado pardos, fizeram a inscrição pelas cotas, mas não deixaram de considerar o sistema discriminatório.

Iniciante

Seguindo o modelo da UnB, a Universidade Federal de Alagoas também reservará, pela primeira vez, 20% de suas 2.275 vagas de graduação para alunos negros e pardos. As diferenças serão o critério adotado –autodeclaração– e a obrigatoriedade de o aluno ser egresso de escola pública –o candidato deve ter estudado no mínimo dez anos na rede, inclusive o ensino médio.

“Já pedíamos fotografias na inscrição antes de optar pelas cotas. As fotos também são fáceis de fraudar, por isso descartamos”, disse Almir Guilhermino, coordenador de comunicação da Ufal.

A federal de Alagoas também inovou ao reservar, dentro das vagas para negros, 40% para homens e 60% para mulheres.

As instituições estão se antecipando à proposta da União, que vem sendo preparada desde o ano passado. Depois de idas e vindas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu o martelo no início deste mês. Decidiu que a proposta será feita por projeto de lei –não haverá medida provisória.

A primeira universidade brasileira de grande porte a adotar em seu vestibular o critério de cotas foi a Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), após uma lei do governo estadual.

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