O presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Marcos Jank, defendeu ontem durante audiência pública na comissão externa sobre a Alca, que ainda que a Área de Livre Comércio das Américas seja menos abrangente do que a concepção original, representa uma alternativa melhor para o Brasil do que uma seqüência de acordos bilaterais, que deverão ser fechados caso sua criação não se concretize. A posição foi contestada pela deputada Maninha (PT-DF).
Especialista em comércio agrícola internacional, Jank avaliou que o Brasil possui margens de concessões nas áreas de investimentos, serviços e compras governamentais, por exemplo, e condições de firmar acordos mais vantajosos dentro de uma área de livre comércio do que em acordos bilaterais. “Hoje temos 59 acordos bilaterais nas Américas e dentro de dez anos poderemos chegar a cerca de cem. Está-se criando um inferno burocrático. O risco para o Brasil é não ter condições vantajosas nas negociações”, avaliou.
Para Maninha, entretanto, os acordos bilaterais com vários países não representariam necessariamente um risco para a atração de investimentos para o Brasil. “Acho que pode ocorrer o oposto. O Brasil pode buscar parceiros em outras partes do mundo que não a América Central e não necessariamente junto a países alinhados aos Estados Unidos”, defendeu.
Além disso, avaliou Maninha, a atual proposta de Alca, na qual os países negociarão apenas temas de interesse mútuo, já significa, na prática, a adoção de acordos bilaterais. “Mas acho que as discussões sobre a Alca devem ser mantidas. Na verdade, o processo de negociação está paralisado mais em função de um fator político, que são as eleições nos Estados Unidos.”
União Européia – Também ontem, o embaixador José Alfredo Graça Lima, chefe da missão do Brasil junto à Comunidade Européia, discutiu as negociações entre o Mercosul e a UE em audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Segundo ele, as negociações evoluem, e ao contrário da Alca, têm limites mais estabelecidos do que pode ou não ser acordado. Para a deputada Maninha, o acordo entre Mercosul e UE pode ganhar mais espaço de discussão no Congresso.
0 comentários