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Stédile será denunciado por incitar crime

maio 6, 2004 | Geral


Promotora convocou líder sem-terra para uma audiência, mas ele não compareceu


Porto Alegre – O líder nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, não compareceu a audiência, ontem, convocada pelo Ministério Público e será denunciado à Justiça de Canguçu (RS) por incitação ao crime. A promotora Camile Balzano de Mattos queria explicações para declarações feitas por ele em 23 de julho de 2003, quando disse que havia mil sem-terra para cada latifundiário do País e que os camponeses não deveriam dormir até acabar com seus inimigos. A promotora deve encaminhar a denúncia amanhã.

Na audiência, ela ofereceria a Stédile um acordo pelo qual ele pagaria multa de R$ 1,5 mil em troca do arquivamento da acusação. No processo, o líder dos sem-terra ainda poderá aceitar acordos para encerrar o caso. A pena, no caso de condenação, é de 3 a 6 meses de prisão ou pagamento de multa e prestação de serviços à comunidade.

As declarações de Stédile foram feitas numa aula de história a centenas de sem-terra e pequenos camponeses da zona sul do Rio Grande do Sul. Ele classificou a legião dos sem-terra de “nosso exército” e os ruralistas de “inimigos”. Também disse que a diferença numérica entre as duas classes é de mil trabalhadores rurais para cada fazendeiro para perguntar: “Será que mil perdem para um?”Na seqüência propôs: “O que nos falta é nos unirmos para cada mil pegarem um.”

O MST não considera o discurso de Stédile belicoso e acusa a imprensa de ter tirado as frases de contexto.

Interdição – Com militantes do MST e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), a Via Campesina bloqueou diversas estradas do Rio Grande do Sul ontem. Os agricultores reivindicam recursos para quem perdeu parte das lavouras com a seca.

Em Erechim, um grupo de 800 pessoas, segundo os organizadores, bloqueou a BR-153 durante meia hora, no final da manhã, provocando um congestionamento de quatro quilômetros. Em Ronda Alta, 700 pessoas trancaram o tráfego na BR-324 durante a manhã, só deixando passar ambulâncias.

A BR-386 foi bloqueada em dois pontos. Em Frederico Westphalen, no norte do Estado, os manifestantes ficaram três horas na pista. Na ponte sobre o Rio Taquari, entre Lajeado e Estrela, perto da região metropolitana de Porto Alegre, o bloqueio durou três horas. Na BR-392, perto de Rio Grande, o trânsito ficou interrompido por oito horas.

(Elder Ogliari)

Publicado em 29.04.2004

admin
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