Em reunião ontem com o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) e o governador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou governadores.
A Folha apurou que ele disse ter visto com “naturalidade” a reunião dos governadores em Brasília no dia 26 de abril, na qual sofreu cobrança por mais recursos e por uma agenda desenvolvimentista. Afirmou, porém, que alguns agiram por interesse eleitoral, pensando nas eleições de 2004 e de 2006, o que prejudicaria o país.
Lula disse ainda que fará um novo encontro com governadores, mas só após reunir-se com grupo dos prefeitos das 26 capitais, com os quais nunca se encontrou. “Quero tratar de geração de empregos e desenvolvimento”, disse. Afirmou que estava “devendo” uma reunião com os prefeitos, pois já fez cinco com governadores. Ainda não há data marcada para os dois encontros.
O presidente não citou os nomes dos governadores que julga agir por interesse eleitoral. Neste ano, há eleições municipais. Em 2006, disputa por governos estaduais e a sucessão presidencial.
A Folha apurou, porém, que Lula está particularmente contrariado com dois governadores do PMDB, Roberto Requião (PR) e Rosinha Matheus (RJ). Requião e Rosinha foram os mais duros críticos do governo na reunião.
Na avaliação da cúpula do governo, Requião sonha em tentar a Presidência caso haja naufrágio do governo Lula usando um discurso mais à esquerda e nacionalista. Já Rosinha faz parte do projeto presidencial de Anthony Garotinho, atual secretário da Segurança Pública do Rio e candidato derrotado a presidente em 2002. Garotinho tem sido crítico duro do PT, com o discurso de que Lula decepciona seus eleitores.
Os tucanos Aécio Neves (MG) e Geraldo Alckmin (SP), apesar de serem tidos como presidenciáveis em 2006, agiram como bombeiros –na visão de Lula, agindo com menor intenção eleitoral.
Alcântara, representante dos governadores na reunião com Lula para apresentar as reivindicações, classificou de “produtiva” a conversa: “Lula prometeu analisar os pedidos, mas não entrou em detalhes”.
Os governadores de 26 Estados (Zeca do PT, de MS, faltou ao encontro) pediram discussão sobre o conceito de receita líquida dos Estados, com base no qual são calculadas as dívidas com a União.
O governo não está disposto a atender o pedido, que levaria a uma renegociação indireta das dívidas dos Estados, mas pode negociar pontos como contribuições e investimentos. Alcântara solicitou a Lula que interceda na Câmara para que a Casa não altere acordo sobre o futuro Fundo de Desenvolvimento Regional.
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