Em meio a polêmica entre o governo Lula e o “New York Times”, um ato contra a visita da embaixadora dos EUA no Brasil, Donna Hrinak, ao governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, terminou em conflito com a polícia nesta quarta, em Porto Alegre.
Porto Alegre – Um protesto contra a visita da embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, ao governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), terminou em conflito com a polícia nesta quarta-feira (12), na capital gaúcha. Um grupo de militantes do PSTU, do PT e do PC do B, que protestava contra a invasão do Iraque e as torturas cometidas por soldados norte-americanos contra prisioneiros iraquianos, jogou ovos contra o carro da embaixadora quando ela saía do Palácio. Os manifestantes acabaram agredidos por soldados da Brigada Militar (a PM gaúcha).
Na frente de jornalistas que cobriam a manifestação, um dos militantes foi chutado por quatro soldados da Brigada, e outros foram agredidos com golpes de cacetetes. O grupo esperou a chegada de Donna Hrinak em uma área isolada em frente à sede do governo gaúcho. Quando ela saía do Piratini, ocorreu o conflito entre os manifestantes e a polícia. Três deles chegaram a ser presos. Além de protestar contra a presença de tropas norte-americanas no Iraque, os manifestantes criticaram a prisão de cinco cubanos que estão nos Estados Unidos e o envio de tropas brasileiras para o Haiti.
Hrinak esteve no Rio Grande do Sul para inaugurar um escritório virtual da embaixada dos EUA no Estado.
Polêmica com o NYT
O incidente ocorre em meio à polêmica sobre a matéria publicada pelo correspondente do jornal The New York Times no Brasil, Larry Rohter, que disse que o hábito de beber do presidente Lula preocupava os brasileiros. Na noite de terça-feira, o governo brasileiro decidiu suspender o visto temporário do correspondente, motivando críticas da direção do jornal. Nesta quarta, o NYT publicou uma matéria intitulada “Brasil vai expulsar repórter”, onde o editor executivo do jornal, Bill Keller, comenta que se o Brasil “pretende expulsar um jornalista porque escreveu uma matéria que ofendeu o presidente, isto levanta sérias questões sobre o compromisso do Brasil com a liberdade de expressão e uma imprensa livre”.
A embaixadora Donna Hrinake considerou “lamentável” a decisão do governo brasileiro de cancelar o visto de Larry Rother, garantindo que até agora não falou oficialemente sobre o caso com nenhum representante do governo brasileiro. Por outro lado, disse que é importante lembrar que “o New York Times não representa a opinião dos Estados Unidos”. Hrinak observou ainda que o artigo de Rother recebeu uma condenação quase que universal e agora “está recebendo também essa condenação do governo brasileiro”. “Mas essa não é uma tradição de respeito à imprensa livre”, acrescentou.
O governador Germano Rigotto criticou a suspensão do visto do jornalista norte-americano, classificando como uma “trapalhada” a ação do governo. “Com isso, o Brasil pode passar uma postura de cerceamento da liberdade de imprensa, que é um dos pilares da democracia”, disse Rigotto, que acrescentou: “o governo tropeçou nessa forma encontrada para repudiar a irresponsabilidade do jornalista”.
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