São Paulo – Existem ainda 798 milhões de subnutridos no mundo, um “progresso decepcionante em relação à redução da fome”. Este é um dos dados que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a FAO, levantou no simpósio apresentado neste domingo (13) durante a 11ª Unctad — a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento que realizou-se em São Paulo.
Segundo os dados da FAO, os subnutridos chegam a somar quase 30% de toda a população mundial e 50% daquela do Terceiro Mundo. A subnutrição não se apresenta apenas e nem principalmente em sua modalidade aguda – a desnutrição. Pode assumir, por exemplo, a forma de carências de vitaminas e sais minerais, responsável por problemas de crescimento retardado, cegueira e deficiências mentais em crianças. É responsável por um quinto da mortalidade materna na África e Ásia e por 55% dos 12 milhões de mortes de crianças que ocorrem a cada ano no mundo. Acarreta também outras perdas: a FAO calculou que, só no ano de 1990, a perda mundial de produtividade social devido a carências nutritivas chegou a 46 milhões de anos de vida produtiva.
“Exceto quando uma guerra ou alguma calamidade natural centra brevemente as atenções e a compaixão mundial, pouco se fala e menos ainda se faz para pôr fim aos sofrimentos de um contingente de famintos que supera a população da América Latina ou da África subsaariana”, pondera a organização.
Ritmo lento
A maior parte deste contingente está na África localizada abaixo do deserto do Saara, conhecida como subsaariana. Somente lá são 198 milhões de desnutridos. A Ásia e a região do Pacífico vêm em segundo lugar, com 156 milhões de famintos, seguidos pela China (135 milhões), pela América Latina e Caribe (53 milhões), pelo Oriente e a África do Norte (41 milhões), pelos chamados países em transição (34 milhões) e os países industrializados (10 milhões).
Aos poucos a fome vai recuando no mundo — especialmente na Ásia e América Latina, enquanto se agrava na África. Os campeões mundiais de redução da subnutrição são dois países socialistas asiáticos, China e Vietnã. O Brasil, especificamente, também vem reduzindo o número de subnutridos desde o início da pesquisa, em 1990, assim como a Tailândia, Peru, Gana, Sri Lanka e Namíbia.
No entanto, a luta contra a fome avança com exasperante lentidão, apesar das proezas da ciência e tecnologia quanto à produção de alimentos. Para se alcançar a meta da cúpula da FAO sobre alimentação, de reduzir pela metade a fome no planeta até 2015, seria necessário reduzir o número de famintos num ritmo médio de 22 milhões por ano; o ritmo atual, porém, é de apenas 6 milhões por ano.
O secretário de Agricultura Familiar do governo brasileiro, Walter Bianchini, que também estava presente, destacou que “há um grande potencial de desenvolvimento social” através de incentivos a este modelo de agricultura. Explicou o programa Fome Zero, que distribui cupons de alimentação para combater a fome.
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