Brasília – A maioria das mulheres empregadas no Brasil recebe até dois salários mínimos. Esse é um dos dados apontados pelo relatório da Comissão Externa da Feminização da Pobreza, da Câmara dos Deputados, que foi apresentado ontem e deve ser votado na próxima quarta-feira, dia 7. O texto aponta as desigualdades de gênero no Brasil e a necessidade de implantar políticas públicas mais eficientes para as mulheres.
De acordo com o relatório, 71,3% da população feminina ocupada recebe até dois salários mínimos. Entre os homens, essa parcela cai para 55,1%. O número de mulheres empregadas em serviços domésticos ou atividades não-remuneradas também é superior ao dos homens. Do total de mulheres em trabalhos domésticos, 76% trabalham sem carteira assinada.
Caso seja aprovado, o relatório se tornará instrumento de discussão e formulação de políticas para a mulher. A deputada federal Luci Choinacki (PT-SC), relatora da Comissão, sugere a criação de uma comissão especial sobre trabalho doméstico, visando reunir todos os 34 projetos sobre o assunto que tramitando hoje na Câmara dos Deputados. “São muitos projetos. Falta uma articulação política para a valorização do trabalho doméstico”, afirmou.
Segundo Luci, a pobreza é fruto de desigualdades históricas. “Nos últimos anos, a mulher está se informando mais, no entanto, economicamente, continua ganhando a mesma coisa. A pobreza é resultado da concentração da riqueza e da renda, que vem desde a colonização do Brasil”, lembrou.
O relatório ainda pede medidas públicas em relação ao emprego informal, ao trabalho infantil doméstico, à questão agrária, ao crédito, à questão urbana e justiça social. A deputada petista acrecentou ao texto as mulheres estão insuficientemente representadas em todos os níveis dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Para ela, a participação das mulheres nas esferas de decisão seria útil para estas questões fossem incluídas nas decisão de governo.
ABr
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