Dados do Censo Escolar mostram que há um aumento no número de alunos com 25 anos ou mais na educação básica. Em 1999, essa faixa etária contava com 2,6 milhões de estudantes (5,5% do total de matrículas). No ano passado, passou para 3,7 milhões (7,7%).
O exemplo do serralheiro Francisco Marques de Freitas, 58, ilustra as motivações e as dificuldades de se voltar à escola. Ele parou de estudar quando tinha 13 anos, para trabalhar como ajudante de fundição em Divinópolis, cidade mineira a sudoeste de Belo Horizonte.
No ano passado, decidiu retornar à sala de aula. Desde então, concluiu até a 5ª série, em forma de supletivo, na escola Jorge Augusto, em Barueri (Grande São Paulo). “Mudou muita coisa [no ensino]. Estou indo quase bem”, brincou.
Freitas afirma que uma das principais diferenças é que, antes de parar de estudar, todas as aulas eram dadas por apenas um professor. Atualmente, ele tem um para cada matéria. “A gente tinha mais ligação [com o professor]. Era mais fácil de aprender.”
Na classe dele, há alunos na faixa de 15 a 17 anos –Freitas é o mais velho da turma. Ele afirma que não tem muito tempo para fazer integração com esses estudantes, mas diz que não há problema com a maioria. “Mas tem um grupinho de uns quatro elementos que atrapalha. Eles conversam e brincam muito.”
O serralheiro conta que voltou a estudar apenas para aumentar seu conhecimento. “Para a minha profissão, não vai interferir muito, não.” Freitas diz que pretende estudar até se formar na 8ª série. Sobre o ritmo das aulas, ele conta que “é difícil cair ficha”.
Outro ritmo
A afirmação de Freitas vai ao encontro do que diz o professor de história José Odair da Silva, 42, que tem experiência de oito anos com supletivo e alunos com idade acima do considerado ideal para a série.
“O ritmo [de aprendizado] é mais lento. É preciso um atendimento mais individual, parar mais a aula para tirar dúvidas”, afirma o professor, que atualmente leciona na Estadual Professora Joana Motta, em São Caetano do Sul (ABC paulista). A experiência com supletivo aconteceu no COPI (Curso de Orientação Prático-Industrial), da prefeitura da cidade da Grande São Paulo.
“O aluno mais velho entende mais do cotidiano, mas tem muita dificuldade para absorver o conteúdo letivo”, conta o professor.
Para Eliezer Pacheco, presidente do Inep –instituto de pesquisas do Ministério da Educação, que aplicou o censo–, o aumento do número de alunos com mais de 25 anos é bom, pois indica uma busca pela melhoria da escolaridade.
Para Pacheco, o trabalho exige o retorno aos estudos. “A exigência do mercado, aliada à ampliação da oferta de vagas, contribuiu para crescimento da matrícula da população adulta.”
Dos quase 4 milhões de alunos nessa faixa etária que estão na educação básica, mais da metade está no supletivo (educação de jovens e adultos), com 2,3 milhões; 705.495 estão no ensino médio e 664.598 no fundamental.
Regiões
O maior número de alunos de 25 anos de idade ou mais está na região Nordeste (1,6 milhão). Entre os Estados, São Paulo e Bahia são os que mais tem esse perfil de estudantes: 531 mil e 465 mil, respectivamente.
Pará e no Acre apresentam os mais elevados índices de matrículas nessa faixa etária (14,9% e 13,2%, respectivamente); Minas Gerais tem o menor: 3,5%.
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