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Reuters: Bush apela para o medo para ganhar votos

jul 29, 2004 | Geral

WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pode estar apelando para princípios básicos da psicologia ao invocar os ataques de 11 de setembro durante sua campanha de reeleição, disseram pesquisadores norte-americanos na quinta-feira.

Falar sobre a morte pode alimentar a busca das pessoas por uma segurança psicológica, disseram os pesquisadores em um estudo que será publicado na edição de dezembro da revista Psychological Science e na edição de setembro da Personality and Social Psychology Bulletin.

“Há pessoas em todos os lugares dizendo que sempre que Bush está em apuros ele gera medo ao falar em ameaças iminentes”, afirmou Sheldon Solomon, da Faculdade Skidmore, que participou do estudo. “Estamos dizendo (no estudo) que isso é psicologicamente útil”.

Jeff Greenberg, da Universidade do Arizona, em Tucson, afirmou que alimentar o medo era uma tática comum.

“Vários líderes mundiais ganham em simpatia ao induzirem as pessoas a achar que eles são figuras heróicas, principalmente em uma luta contra o mal”, disse Greenberg, em entrevista concedida por telefone do Havaí.

“Algumas vezes, essa pode ser a coisa certa a fazer. Mas é uma tática psicológica, principalmente quando a morte está próxima da consciência popular”.

No primeiro estudo, Solomon, Greenberg e outros pesquisadores pediram que seus estudantes pensassem sobre sua própria morte ou sobre um tópico neutro. Eles então leram os anúncios de campanha de três hipotéticos candidatos a governador, cada um deles com um estilo diferente. Segundo Solomon, um deles era carismático.

“Esse foi quem disse que o nosso país era magnífico e que o povo era especial”, contou Salomon.

Os outros candidatos focalizaram suas agendas de governo, afirmou o pesquisador.

Os estudantes que pensaram na morte mostraram-se mais propensos a escolher o líder carismático, descobriram os cientistas. Apenas quatro em cada cem estudantes escolheram o líder carismático quando pensavam em um tópico neutro. Mas 30 optaram por ele ao pensar na própria morte.

Os cientistas decidiram então testar a idéia por meio de quatro estudos realizados em diferentes universidades.

“Em um deles, pedimos que metade das pessoas pensasse no 11 de setembro, e a outra metade, em ver TV. O resultado foi surpreendente”, disse o pesquisador.

Quando pensaram em assistir à TV, os 100 voluntários não aprovaram Bush nem suas políticas no Iraque. Mas quando tiveram que pensar sobre o 11 de setembro, os voluntários tiveram reações muito diferentes.

“Eles aprovaram de maneira contundente o presidente Bush e sua política no Iraque”, disse Solomon.

Solomon, um psicólogo social especialista em terrorismo, disse que era muito raro que as opiniões de uma pessoa divergissem tão fortemente dependendo da situação.

Outro estudo enfocou diretamente Bush e seu desafiante democrata, o senador John Kerry.

Os voluntários, cujas idades variavam entre 18 e 50 anos, vinham de campos políticos variados. Mas, não importa qual era a convicção política da pessoa, ao pensar sobre a morte ela tendia a apoiar Bush, disse Salomon. De outra maneira, apoiava Kerry.

O pesquisador diz que o estudo pretende alertar os eleitores das pressões psicológicas a que são submetidos e como elas estão sendo usadas.

“Se as pessoas tiverem consciência de que, ao pensar na morte, elas agem de forma diferente, então elas não vão agir de forma diferente”, disse Solomon.

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