O eleitorado brasileiro de 16 e 17 anos cresceu 66,60% desde a disputa de 2002, passando de 2.217.948 eleitores para 3.695.265. É o segundo maior aumento registrado desde a eleição presidencial de 1989, quando foi permitido o voto facultativo para os jovens de 16 e 17 anos. De lá pra cá, o número de votantes adolescentes têm oscilado, repetindo um movimento contínuo: sobe nas disputas para prefeitos e vereadores, e cai nos anos de escolha de presidente, senadores e deputados.
O cientista político Hermes Zanetti, autor do projeto que instituiu o voto facultativo aos 16 anos, atribui o crescimento recorde do eleitorado adolescente ao maior número de campanhas de conscientização sobre o tema e à proximidade dos eleitores com os candidatos. “O contingente que está disputando uma vaga de vereador ou de prefeito é muito grande e está próximo do eleitor, pois o pleito é municipal”, argumenta. “Essa legião de candidatos é um veículo de informação e motivação. Para conseguir se eleger, eles visitam escolas, conversam com parentes, pedem força para os amigos.”
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro vê um “efeito geracional” no aumento de eleitores adolescentes. “É uma população que nasceu sob a égide da democracia na prática eleitoral”, afirma. Para Monteiro, outro fator que pode ter pesado nessa diferença é a mudança do poder político ocorrida na última eleição presidencial.
“Acredito que o aumento é uma espécie de rescaldo da eleição de 2002, que, de certa maneira, apresentou uma novidade com a chegada de Lula ao poder, estimulando o jovem a participar, na medida em que a alternância de poder dá impressão de que podemos, efetivamente, influir no processo, mostrando que a eleição não é um jogo de cartas marcadas.”
Poder local
Sobre o fato de o eleitorado de 16 e 17 anos crescer nos períodos de disputa nos municípios, Monteiro explica que se trata de um fenômeno mundial. “Há uma tendência de investir no chamado poder local, por meio de organizações não-governamentais (ONGs) e associações, por exemplo”, diz. “As pessoas estão mais interessadas nas transformações ocorridas no município, no bairro. É diferente daquele velho padrão de fazer política, mais institucional, universalista, quando se exigia uma transformação nacional.”
Apesar do aumento de mais de 66% registrado este ano, Zanetti acha que o número de campanhas de conscientização do voto entre o público jovem é muito reduzido. “Ainda há pouca informação, e, por conseqüência, pouca motivação”, observa. “As escolas precisam abrir as portas para o assunto, não no sentido de catequizar os alunos, mas para motivar a discussão sobre os partidos, saber quem são os candidatos e como funciona o processo eleitoral.”
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