O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje, em discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico, a união do País em torno de um projeto estratégico de desenvolvimento, e que todos sigam o slogan de uma campanha institucional que está sendo veiculada, que diz “eu sou brasileiro, não desisto nunca”. Segundo o presidente, se todos seguirem esse slogan, “não haverá intriga, não haverá futrica, e não haverá eleição” que possa impedir o desenvolvimento que o País precisa.
Lula disse que não há espaço para “política pequena” neste momento e afirmou que, em poucas vezes na história, houve confluência de fatores tão positivos para que o Brasil ingressasse na rota dos países desenvolvidos. “Nenhum vento é bom para quem não sabe onde quer chegar, mas nós temos rumo, direção e sentido.”
O presidente disse que é necessário “construir um novo consenso estratégico nacional” para que não se perca a oportunidade surgida e cobrou convergência nos diagnósticos, de modo a que não se percam as conquistas, mas também não se abdique das oportunidades abertas.
“Mentalidade subalterna”
Lula argumentou que a política externa e comercial brasileira está conseguindo bons resultados, apesar das críticas feitas anteriormente por pessoas de “mentalidade subalterna”. O presidente citou como exemplo dos bons resultados o acordo firmado na Organização Mundial do Comércio (OMC) na semana passada. Ele lembrou que a posição do governo brasileiro que acabou resultando no acordo foi muito criticada após a reunião de Cancún, onde se afirmava que o Brasil havia fracassado.
“Aquilo que parecia impossível há seis meses está acontecendo”, disse o presidente. Lula lembrou ainda das avaliações segundo as quais a postura do Brasil em relação aos Estados Unidos fecharia portas comerciais para o País. E comparou tais avaliações com o resultado da licitação para a compra de aviões do Pentágono, anunciada ontem, na qual o consórcio do qual participa a Embraer saiu vencedor. “Ninguém respeita interlocutor que não se respeita”, afirmou o presidente.
Compreensão e apoio
Lula pediu ainda, em seu discurso, compreensão e apoio na travessia que o País está fazendo para superar seus problemas sociais e consolidar o desenvolvimento econômico. Ele disse que muitas vezes os mais pobres têm um grau de compreensão com a gravidade, que às vezes falta “ao olhar dos privilegiados”.
Ele reconheceu que os ajustes econômicos são muitas vezes inevitáveis, mas disse que esses ajustes “podem cegar, se assumirem forma de dogmatismo, como ocorreu nos anos de neoliberalismo hegemônico”. Ele pediu apoio aos membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico para que analisem à luz do programa de governo os caminhos que o Brasil pode seguir e apresentem sugestões para aperfeiçoar esse processo.
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