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Venezuela proíbe parciais sobre o referendo

ago 12, 2004 | Geral

Conselho Eleitoral adverte a oposição ao presidente Hugo Chávez

O fim da campanha do plebiscito revogatório do presidente Chávez na Venezuela avivou a polêmica sobre a divulgação dos dados parciais. O diretor do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Jorge Rodríguez, advertiu que esses anúncios estão expressamente proibidos e poderão acarretar sanções.

Enrique Mendoza, líder da coalizão de oposição Coordenadoria Democrática, havia afirmado que a oposição começará a divulgar os resultados parciais a partir das 14h do próximo domingo (15/08), data da realização da consulta, e horas antes do anúncio oficial.

As máquinas de votação que serão empregadas no referendo presidencial da Venezuela passaram pelo último teste técnico neste fim de semana, e a partir desta quarta-feira serão distribuídas por todo o território venezuelano pelos colégios eleitorais e permanecerão sob custódia das forças armadas.

As 19.622 máquinas que serão instaladas funcionam por meio de um sistema de tela sensível e são capazes de transmitir os dados eletronicamente, de maneira que o resultado da consulta popular sobre a permanência de Hugo Chávez no poder poderá ser conhecido duas horas após o encerramento das mesas, previsto para as 18h.

“Todos os que estão apostando que o Conselho Nacional Eleitoral não entregará os resultados oportunamente vão perder a aposta”, disse o diretor do organismo, Jorge Rodríguez, freqüentemente acusado pela oposição por suas supostas ligações com o governo.

Mendoza insistiu na última segunda-feira que os resultados começarão a ser divulgados antes de o CNE fazer seu primeiro anúncio oficial.

Por sua parte, representantes do governo expressaram dúvidas sobre a possível adulteração dos resultados na etapa de transmissão de dados, que está a cargo da empresa telefônica nacional, Cantv. Segundo fontes da equipe de campanha eleitoral, antigos trabalhadores da empresa de petróleo PDVSA, que participaram da greve fracassada no final de 2002 e início de 2003, estariam agora trabalhando para a empresa telefônica e poderiam estar preparando uma fraude eletrônica.

Na segunda-feira, uma comissão da Assembléia Nacional interpelou o presidente da companhia, Gustavo Roosen, que ofereceu garantias de transparência e neutralidade. Além disso, especialistas da empresa que acompanharam Roosen explicaram que a maior responsabilidade no processo cabe a outro membro do consórcio encarregado do plebiscito, a firma americana Smartmatic.

O governo convocou os embaixadores acreditados na Venezuela para lhes informar sobre a evolução do processo. O chanceler Jesús Arnaldo Pérez informou que, junto com o vice-presidente, José Vicente Rangel, ratificaram ao corpo diplomático que o presidente Chávez acatará o resultado anunciado pelo CNE, seja qual for.

“Salientamos que os representantes da oposição não fizeram a mesma promessa, e eles tomaram nota desse detalhe”, disse Pérez.

O referendo

No próximo domingo 14 milhões de venezuelanos poderão responder “sim” ou “não” se desejam revogar o mandato de Chávez, eleito em julho de 2000 com 3,7 milhões de votos. Para conseguir a revogação, a oposição deverá ultrapassar esse número e naturalmente superar os votos a favor do presidente.

Se o mandatário for revogado, o Conselho Nacional Eleitoral deverá convocar novas eleições no prazo de um mês. Nessa nova convocação Chávez poderá se candidatar novamente. Se triunfar a opção pelo não, Chávez permanecerá no poder até janeiro de 2007 e poderá ser reeleito para outro período de seis anos nas eleições no final de 2006.

Clodovaldo Hernández

Em Caracas

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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