As direções dos sindicatos que, em sua grande maioria são militantes do PSTU, partido que decidiu promover cizânia no movimento sindical cutista, não estão seguindo à risca o que falou o líder do partido, José Maria de Almeida. Em reunião da Executiva Nacional da CUT, em julho, Zé Maria, anunciou que o Comitê Central do seu partido havia decidido retirar seus quadros da instâncias de decisão da CUT e promover amplas consultas e com total transparência nas bases dos sindicatos que controlam sobre a desfiliação à CUT.
Mas não é bem assim que as coisas vêm ocorrendo. Três exemplos vindos de São Paulo ilustram métodos nada recomendáveis para tomadas de decisão. Em São José dos Campos, os dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos, disseram, no início, que promoveriam, em janeiro de 2005, um “plebiscito” na base do Sindicato. Mas, ao perceberem que uma consulta ampla como essa, poderia não ser tão benéfica às pretensões do Comitê Central do PSTU, os dirigentes decidiram trocar o plebiscito por uma única assembléia em um único turno, apesar de, historicamente, o sindicato ter sempre resolvido suas diferenças em várias assembléias, uma para cada turno de trabalho (aliás, um princípio democrático). Muitos trabalhadores não puderam, por razões óbvias, opinar sobre a decisão do PSTU. Ainda assim, a assembléia foi convocada com apenas sete dias de antecedência, além da churrascada, farta distribuição de brindes e sem a presença da CUT. O interessante é que, no mesmo dia da “assembléia”, a página do Sindicato na internet falava sobre os porquês da candidatura do presidente do sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha, à Prefeitura da cidade, e na “agenda de atividades”, o sindicato divulgava datas e locais de festas dos candidatos do Partido à Câmara Municipal. Logo após a decisão sobre a desfiliação, a diretoria promoveu uma alegre caminhada até à sede do PSTU local.
Situação semelhante ocorreu entre os trabalhadores da Universidade Federal de São Carlos, município do interior paulista. O Partido só informou oficialmente à CUT que estaria convocando uma assembléia, após a sua realização. Detalhe, o site do PSTU já trazia esta informação uma semana antes, evidenciando a tentativa do controle dos sindicatos pelo aparelhamento partidário.
Em Bauru, SP, a CUT também só ficou sabendo da realização da assembléia, porque um companheiro identificado com a corrente O Trabalho, faz parte da diretoria do Sindicato dos Bancários do município.
Definitivamente, o Comitê Central do PSTU não está promovendo consultas amplas, democráticas e transparentes como disse o líder, José Maria de Almeida, além de alijar a direção da CUT do uso da palavra para defender a permanência dos sindicatos nos quadros de associados à central.
Mas, o PSTU pode ficar traquilo; conseguiu a adesão de pelo menos uma corrente partidária, a Liga Bolchevique Internacionalista. Isso é que é democracia operária!
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