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‘A hora é de política de inclusão social’

jan 29, 2004 | Geral

Nova Délhi – Ao abrir ontem o seminário sobre desenvolvimento sustentável, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu que o crescimento econômico precisa ser acompanhado de distribuição de renda. “O desafio que está colocado para nós é que não basta crescer para atender uma pequena casta da nossa sociedade”, afirmou.

A sociedade indiana é dividida em castas e a referência ao termo causou certo desconforto. Lula disse que a presença dos países pobres na cena internacional dependerá da capacidade de vencer a exclusão social, a fome e o desemprego.

“Não basta o PIB crescer porque muitas vezes o país cresce, o PIB cresce, o lucro das empresas cresce, mas a massa salarial e o mercado de trabalho, não”, observou. “A hora é de política de inclusão social, porque é para isso que ganhamos as eleições.” O presidente convocou os “companheiros indianos” a participar do que chamou de “outra globalização”.

Depois, afirmou estar convencido de que neste século Índia e Brasil passarão a ocupar espaços importantes no comércio exterior e deixarão de ser pobres.

“Mas isso só será justo e só terá sentido se conseguirmos levar junto com o crescimento os milhões de indianos e brasileiros que ao longo do século ficaram para trás”, argumentou.

O seminário Brasil-Índia – Desenvolvimento Sustentável: perspectivas e possibilidades deveria contar com a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e de José Graziano, que comandava o Ministério da Segurança Alimentar e Combate à Fome. Nenhum dos dois apareceu. A pasta de Graziano foi extinta com a reforma ministerial. Em entrevista à noite, Lula não quis falar sobre o que considerou “assuntos internos”, como a reforma ministerial.

Questionado sobre como crescer com superávit primário, ele repetiu raciocínio que condenava quando era oposição: recursos não dependem de vontade política porque só se gasta quando se tem. “Você não faz superávit primário porque o Fundo Monetário Internacional quer”, destacou. “Isso é um problema nosso, não de outro.” Mais uma vez, o presidente disse que o Brasil tem todas as condições para crescer este ano. “Nós nem precisávamos ter feito acordo com o FMI: o que fizemos foi um acordo preventivo”, insistiu.

(V. R.)

Publicado em 28.01.2004 

admin
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