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Abertura da Conferência Terra e Água marcada por solidariedade e críticas

nov 25, 2004 | Geral

A solenidade de abertura da 1ª Conferência Nacional Terra e Água: Reforma Agrária, Democracia e Desenvolvimento Sustentável, que acontece no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, de hoje (22) à quinta-feira (25), foi marcada pela solidariedade ao massacre de trabalhadores Sem Terra ocorrido em Minas Gerais no último sábado.

No evento estiveram presentes os Ministros do Desenvolvimento Agrário e da Secretaria especial de Equicultura e Pesca, Miguel Rossetto e José Fritsch. O ministro Rossetto considerou a chacina “um crime bárbaro, uma violência inaceitável. Nós estamos falando de cidadãos brasileiros que estavam acampados, com autorização judicial e que foram brutalmente agredidos. Diz também que “aos culpados haverá uma punição exemplar”.

José Fritsch, lembrou que a luta pela terra e pela água não é novidade, mas que agora há uma nova dimensão nesta luta, pois junto a isso está a busca pelo desenvolvimento sustentável. “É necessário tornar a terra improdutiva em terra produtiva. Terra sem gente em terra com gente. Não há desenvolvimento sustentável sem acesso a terra e sem água de qualidade e é importante estarmos aqui pois a luta tem que continuar”, finalizou o ministro.

Já o secretário de Biodiversidades e Florestas, João Paulo Ribeiro Capobianco, ressaltou a preocupação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, com a aprovação da CTNBio dos sete tipos de algodão transgênicos sem estudo prévio. De acordo com ele está na hora de se definir um marco legal para se conviver com essas novas tecnologias e as discussões que serão desenvolvidas durante a Conferência serão fundamentais para isso.

O deputado João Alfredo (PT/CE), relator da Comissão Parlamentar Mista da Terra, fez uma grave denúncia ao afirmar que o foco desta comissão está sendo desvirtuado, pois seu presidente, o senador Álvaro Dias, é ligado à bancada ruralista do Congresso Nacional. Segundo ele, a comissão foi constituída para tratar de questões como os problemas da terra, a Reforma Agrária e a violência no campo, mas que na verdade se transformou em um movimento de caça ao MST e de intimidação ao governo na implementação do projeto de Reforma Agrária. “Este congresso trará força para a realidade da Reforma Agrária no País”, afirmou.

A solenidade de abertura ainda foi marcada por manifestações de algumas das 45 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, entidade promotora da Conferência. Segundo João Paulo Rodrigues, existe uma insatisfação dos movimentos com o Governo do Ministro Palocci: “Queremos a demissão dele”,
finaliza. Dom Tomás Balduíno, presidente da CPT, disse que tem confiança na marcha por um Brasil que digno de seus filhos e filhas. “Espero sair daqui com a certeza que a Reforma Agrária virá”, revela ele.

Para Romário Rossetto, do MPA, o agronegócio é uma grande farsa. “Quem alimento o país são os pequenos agricultores que produzem cerca de 56% dos alimentos da mesa brasileira”, afirma Romário.

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