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Abin investiga e não acha nexo entre Farc e PT

mar 24, 2005 | Geral

O general Jorge Felix, ministro do Gabinete Institucional da Presidência da República, afirmou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) continua a investigar tudo o que se relaciona às atividades de integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Brasil.

O general negou, no entanto, a existência de qualquer indício que complemente o informe sobre a reunião no Mato Grosso, onde integrantes da organização, segundo relato de um de seus agentes, teriam comentado uma suposta intenção de doar à campanha presidencial do PT US$ 5 milhões. “Por nada ter sido confirmado, [o informe] foi arquivado, permanecendo em acompanhamento”, explicou o general.

Foi o primeiro depoimento de um chefe hierárquico da Abin para detalhar a deputados e senadores da Comissão Mista de Controle de Inteligência do Congresso, em sessão aberta, uma investigação de interesse de Estado. O general garantiu também que os outros supostos depoimentos – exibidos pelo deputado Alberto Fraga (PTB-DF) em entrevistas na televisão e que tratam do mesmo assunto – não foram produzidos pela Abin.

Provocado pelo senador Gerson Peres (PDT-AM), o general alegou razões de Estado para não responder se a Abin teve confirmação da reunião dos integrantes das Farc e se o governo, à época, foi informado. “Não posso falar sobre isso na frente da imprensa”, justificou. O depoimento acabou esvaziando a articulação da oposição para a abertura de CPI e deixou o deputado Fraga em situação complicada. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP), considerou o caso encerrado e disse que o partido vai abrir processo por injúria e difamação que pode ameaçar o mandato do parlamentar brasiliense.

O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), que entrou na reunião anunciando que assinaria um pedido de CPI mista, recuou. “Estou confuso. Minha consciência recomenda que espere por novos acontecimentos”, afirmou o senador. O ímpeto da oposição baixou depois que Fraga se recusou a apresentar, durante a reunião, cópias de documentos e o nome do agente da Abin que teria se infiltrado da suposta reunião das Farc em Mato Grosso. “Só mostro diante de uma CPI”, disse.

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) afirmou que se tratava de uma questão legal e que ele poderia ser enquadrado por falsidade ideológica, uma vez que o papel com o relato do araponga leva um selo da Abin. O deputado Ricardo Zaratini (PT) elogiou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro do Gabinete Institucional general Alberto Cardoso por ter evitado a divulgação de um informe que, na época, véspera da eleição de 2002, teria aberto uma guerra suja na disputa. “Eles certamente tomaram conhecimento”, disse.

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