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Acusados de matar freira inocentam fazendeiro

jan 20, 2005 | Geral

Os três acusados de matar a missionária Dorothy Stang, em Anapu, no interior do Pará, no dia 12 de fevereiro, decidiram assumir integralmente a culpa pelo crime, isentando o suposto mandante, o fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, que continua foragido há 30 dias. Os três parecem ter combinado o que iriam declarar em depoimento ao juiz Lucas do Carmo de Jesus, na penitenciária Fernando Guilhon, onde estão presos.

O pistoleiro Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, acusado de atirar seis vezes contra a freira, negou ter recebido promessa de pagamento de R$ 50 mil do suposto intermediário, Amair Feijoli da Cunha, o Tato. Cunha também confessou ter participado do crime, mas disse não teria oferecido dinheiro a Sales. “Eu perguntei se ele [Rayfran Sales] teria coragem de matar aquela senhora [Dorothy], e ele disse que sim. Eu fiquei calado”, afirmou Cunha ao juiz, ao apresentar sua nova versão para o assassinato.

“Reação a ameaças”

O motivo para matar a missionária seria, segundo Cunha, uma “reação às ameaças” que tanto ele quanto Sales e o outro acusado, Clodoaldo Batista, o Eduardo, vinham recebendo de colonos defendidos por irmã Dorothy. Batista, porém, ao se declarar participante do crime, insistiu em que Cunha havia prometido pagar R$ 50 mil a Sales pelo “serviço”.

Após os depoimentos, que terminaram por volta das 19 horas, o advogado Oscar Damasceno Filho, defensor de Vitalmiro, informou que ingressará até sexta-feira com pedido de habeas-corpus preventivo para que seu cliente possa se apresentar à Justiça. “Ele é inocente, e esses depoimentos comprovam isso”, justificou.

Nova estratégia

As declarações dos três em juízo não surpreenderam o promotor Lauro Freitas Júnior, responsável pela denúncia contra os quatro acusados. “Essas alterações nos depoimentos já eram por nós tidas como previsíveis, até porque já se passou algum tempo desde o que falaram na polícia. E na penitenciária já tiveram tempo de pensar e reformular suas idéias”, disse Freitas Júnior.

Para ele, mesmo com essa nova estratégia dos acusados, provavelmente orientada por advogados, o Ministério Público está convencido da participação dos quatro no crime. Assim que o depoimento dos três terminou, o promotor pediu ao juiz que os acusados fossem ouvidos novamente, porque as contradições entre eles eram flagrantes. O juiz deferiu o pedido e voltou a interrogar Sales, Cunha e Batista. Os novos depoimentos tinham previsão de encerramento às 11 da noite.

admin
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