Aumentou a tensão na área indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, com índios contrários à homologação contínua da reserva se concentrando em torno da maloca Flechal (a cerca de 26 km do município de Uiramutã). Desde sexta-feira, quatro policiais federais são mantidos reféns no local. Na tarde de ontem, já eram mais de 1.300 índios reunidos.
Os índios, que também mantêm bloqueada a principal estrada de acesso a Uiramutã, na comunidade do Cantão, não cumpriram a promessa feita ao administrador regional da Funai em Roraima, Gonçalo Teixeira dos Santos, 40, de que iriam liberar os policiais federais na manhã de ontem.
Segundo Santos, os índios haviam prometido a ele e ao delegado da PF, Osmar Tavares, comandante da operação Upatakon, que os policiais seriam liberados. “Amanhã [hoje] pela manhã vamos nos reunir com os líderes indígenas e a PF para encontrar uma solução”, disse Santos.
Moradores e índios de Pacaraima (219 km de Boa Vista) fecharam no início da noite de ontem a BR-174, rodovia federal e única via de acesso à Venezuela, em protesto contra a homologação.
Os manifestantes se aglomeraram a um quilômetro do posto de fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado para fechar a BR. Foram utilizados caminhões, carros e pedras para fazer o bloqueio.
No local também funcionam postos da PF e da Polícia Rodoviária Federal. Participam também do protesto cerca de 200 índios pintados como se estivessem se preparando para uma guerra.
Com a homologação contínua da reserva, arrozeiros e não-índios terão um ano para deixar a área de 1,75 milhão de hectares, conforme decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O advogado da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima, Luiz Valdemar Albrecht, disse que os índios devem manter os reféns “até que o ministro da Justiça vá à reserva”. Eles exigem também o fim da operação, que tem 140 policiais. Segundo a PF, deve chegar hoje a Boa Vista um reforço de 73 homens.
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