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Análise do ensino básico revela resultados ruins

jun 10, 2004 | Geral


Levantamento mostra que aumentou a reprovação de alunos dos níveis fundamental e médio

LISANDRA PARAGUASSÚ

BRASÍLIA – A educação brasileira continua ruim. Os dados da Sinopse da Educação Básica 2003, divulgados ontem pelo Ministério da Educação, não mostram grandes mudanças nos índices de aprovação, reprovação, abandono e matrícula nas escolas brasileiras. Revelam, na verdade, que aquilo que não era bom ficou apenas um pouquinho pior. No ensino fundamental, da 1.ª a 8.ª séries, a reprovação passou de 13,8% das crianças matriculadas em 2001 para 14,6% em 2002. No ensino médio, cresceu de 10,5% para 11,8%.

A situação é mais difícil no Nordeste: 15,4% das crianças em 2002 não foram aprovadas. É também na região que continua o maior abandono das salas de aula. Entre 2,8 milhões que deixaram o ensino fundamental, 53,6 % estavam no Nordeste. “Os dados confirmam o que sabíamos, a desigualdade continua enorme no País”, disse Eliezer Pacheco, presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep), responsável pela coleta dos dados.

A Sinopse tem como base dados colhidos pelo Censo Escolar em março de 2003.

Por isso, as matrículas já são as do ano passado, mas as taxas de abandono e repetência são de 2002. Para o ex-ministro Paulo Renato Souza, os números não podem ser analisados isoladamente. Segundo ele, de 1995 a 2000, a repetência no fundamental caiu de 30,2% para 21,7%. A educadora da Universidade de São Paulo (USP) Silvia Collelo lembra que um dos fatores para o aumento nas taxas agora pode ser o crescimento no número de alunos, principalmente no ensino médio, em plena expansão. “Mesmo assim, mais reprovação significa fracasso para qualquer educador.”

“As políticas que estão sendo adotadas por esse governo ainda não puderam surtir efeito”, diz Francisco das Chagas Fernandes, secretário de Educação Básica do MEC. As mudanças deverão, segundo ele, começar a ter reflexos a partir do ano que vem.

As boas notícias: caiu o abandono no ensino fundamental. Passou de 2,89 milhões de estudantes para 2,77 milhões. Resultado, provavelmente, dos primeiros anos de expansão do programa Bolsa-Escola. Também cresceu a matrícula de pessoas na Educação de Jovens e Adultos (Eja). (Colaborou Renata Cafardo)

Publicado em 03.06.2004

admin
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