“O PT é um partido que tem duas pernas, uma no Estado e outra nos movimentos sociais. Às vezes, uma perna fica mais forte do que a outra, e aí temos de equilibrar”, disse José Genoino, presidente do partido, no início de um ciclo de debates e comemorações pelos 25 anos do PT.
São Paulo – Aos 25 anos de vida, o jovem PT vai se deitar no divã. O jubileu de prata do partido que governa o Brasil desde janeiro de 2003 será marcado por uma série de atividades práticas e de reflexão, que incluem um Seminário Nacional sobre os rumos do partido e do país (março), a Conferência Nacional dos Movimentos Sociais do PT (maio), eleições diretas para escolhas de dirigentes (setembro) e, por fim, o 13º Encontro Nacional do PT (dezembro).
“É um momento de repactuação do partido com sua história vitoriosa e com sua diversidade”, disse o presidente do partido, José Genoino, que concedeu coletiva à imprensa nesta quinta-feira (10), na sede nacional do PT, em São Paulo. Há exatos 25 anos, em uma ato realizado no colégio Sion, também na capital paulista, o manifesto de lançamento do PT foi aprovado e aclamado por 1,2 mil pessoas. Na mesma data, representantes de comissões regionais de 17 Estados iniciaram a organização do partido.
Na comemoração realizada nesta quinta, o diretório nacional recebeu dirigentes das principais tendências do PT. Além da Articulação, do próprio Genoino, quadros da Democracia Socialista, Articulação de Esquerda, Força Socialista e O Trabalho, entre outras, marcaram presença. Rodeado por essa diversidade, muitas vezes crítica aos rumos tomados pelo partido e pelo governo do presidente Lula, Genoino deixou claro: “O PT é um partido de esquerda, pluralista, que resgata a tradição do socialismo democrático. Mas nosso partido não é monolítico nem nunca será”.
Apesar do elogio à diversidade, o dirigente petista “recomendou” que é preciso combinar o direito de opinião com unidade de ação. Ou seja, apesar de ser um partido de tendências, Genoino garantiu que os que se insurgirem contra as decisões do comando petista sofrerão conseqüências – como sofreu, vale lembrar, a senadora Heloísa Helena, expulsa do partido em dezembro de 2003 por votar contra a reforma da Previdência.
Para o presidente do PT, as pesquisas de opinião mostram que os brasileiros aprovam o governo Lula e, por conseguinte, as decisões que vem sendo tomadas pelo partido. Mas admitiu que, na relação com os movimentos sociais, nem tudo são flores. “O PT é um partido que tem duas pernas, uma no Estado e outra nos movimentos sociais. Às vezes, uma perna fica mais forte do que a outra, e aí temos de equilibrar”, disse ele, para quem o PT não tem uma “dívida” com os movimentos, mas tem “responsabilidade” para com eles. “Nós somos filhos dos movimentos sociais, jamais vamos dar as costas para eles. Podemos ter divergências, mas jamais vamos dar as costas”, completou.
Genoino também refutou os que dizem que o PT deixou de ser uma referência política e utópica para a juventude brasileira. No Fórum Social Mundial de Porto Alegre, realizado em janeiro, o maior reverenciado foi o presidente Hugo Chávez, da Venezuela. O presidente Lula, que também apresentou uma conferência, ficou em segundo plano.
“A presença do PT no Fórum foi muito importante, e nós não constatamos desgaste. Existem críticas pontuais dos movimentos sociais em relação ao partido, e isso nós temos de discutir”, disse Genoino, que completou: “O presidente Lula foi aplaudido por 12 mil pessoas e vaiado por 30. O PT vai em todos os lugares de cabeça erguida e peito aberto. Mas não somos donos da verdade e queremos aprender com as críticas”.
Contraponto
Mas para o deputado Ivan Valente (SP), um dos petistas mais críticos aos rumos do partido e do governo Lula, o “PT perdeu sua coerência pragmática”. “Precisamos resgatar o manifesto de origem do PT. Fazer reforma agrária, reforçar a luta contra a Alca. A política econômica é continuísta e ortodoxa, mais até que a do governo anterior’, disse.
Para Valente,o PT ainda não tomou uma decisão se se afasta dos movimentos sociais e populares de uma vez, ou se repactua de verdade com eles. “Ele não pode repactuar com o movimento popular, com o MST, sem fazer a reforma agrária, e não retomará os contatos com os educadores brasileiros que defendem a educação pública se ele não investir pesadamente na educação”.
Os debates internos do PT, muitas vezes restritos às reuniões do Diretório Nacional, ganharão dimensão pública neste ano. Mas só a história dirá se o partido sairá ou não transformado dessas “sessões de análise”.
Serviço:
O PT lançou uma página na internet para celebrar seus 25 anos: www.pt.org.br/25anos
0 comentários