Protesto em frente ao Consulado dos EUA em São Paulo cobra do governo George Bush a adesão ao Protocolo de Quioto. Ato semelhante foi realizado no Rio. Apesar da ausência norte-americana, os ativistas, ligados a movimentos sociais e a ONGs ambientalistas, celebraram a conquista cantando a música de Chico Buarque.
São Paulo e Rio de Janeiro – Uma série de eventos realizados pelo mundo nesta quarta-feira (16) comemoram o início de uma nova era na proteção climática. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os manifestantes concentraram-se em frente aos consulados dos Estados Unidos, o maior emissor mundial de gases do efeito estufa, mas que não aderiu ao Protocolo de Quioto.
O protocolo agora é lei e prepara o terreno para que a comunidade internacional dê os primeiros passos no sentido de diminuir as emissões de gases que causam o aquecimento global. O Brasil é o quinto maior emissor de gases na atmosfera, sendo que as principais causas de emissão são o desmatamento e queimadas de florestas, especialmente na Amazônia. Dados da década de 90 mostram que já naquela época, 70% das emissões brasileiras eram provenientes das queimadas.
Em São Paulo
Em protesto à não adesão do governo Bush ao protocolo, diversas organizações da sociedade civil e do movimento ambientalista – entre elas o FBOMS (Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente), a CUT, o Greenpeace e o Instituto Vitae Civilis – realizaram um ato em frente ao Consulado dos Estados Unidos em São Paulo.
O protesto, bem humorado, contou com uma Arca de Noé, onde foi estendida uma faixa com os dizeres “apesar de vocês, temos Quioto”. A canção de Chico Buarque “Apesar de Você” serviu como trilha sonora para embalar a manifestação. Um personagem vestido de George W. Bush se recusava a abraçar a bóia de Quioto, considerada pelos manifestantes como uma forma de salvar o clima do planeta. Além do protesto em São Paulo, outras atividades foram realizadas em Manaus, Porto Alegre e Brasília.
“Todos os países têm compromissos, embora diferenciados, para reverter as causas e prevenir ou adaptar-se aos efeitos das mudanças de clima. Reconhecemos que as metas do Protocolo de Quioto ainda são insuficientes, mas faz parte do único acordo mundial que torna obrigatório atividades e políticas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. É necessário termos um debate mais aprofundado sobre os compromissos que o Brasil e outros países vão assumir no futuro, dentro do regime internacional”. disse Rubens Born, diretor executivo do Instituto Vitae Civilis.
No mundo, a data foi celebrada por ativistas da rede CAN – Climate Action Network – de várias formas, em mais de 40 países: na cidade de Quioto, voando num balão de ar quente sobre o Templo Kiyomizu. Em Beijing, jovens ativistas discursaram no topo da colina Jingshan Hill, atrás da Cidade Proibida, explicando a necessidade da troca global pelas energias renováveis e eficiência energética. Organizações participantes da rede promoveram celebrações nas cidades de Bonn, Moscou, Madri, Helsinque, Sidney, Bangalore, Hong Kong e Suva, nas Ilhas Fiji.
No Rio de Janeiro
Cerca de cem manifestantes, a maioria representando os movimentos social, sindical e ambientalista, além de parlamentares e estudantes, ocuparam durante a tarde desta quarta-feira (16) a calçada em frente ao Consulado dos Estados Unidos, no centro do Rio de Janeiro. Principal alvo dos manifestantes, o presidente George W. Bush foi acusado em diversos discursos de irresponsabilidade pelo fato de ignorar o esforço dos 141 países signatários do protocolo no sentido de reduzir a emissão de gases nocivos em todo o planeta.
Apesar do número reduzido de participantes, o ato foi representativo por contar com dirigentes de entidades como a CUT, o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais (FBOMS), a Rede da Mata Atlântica (RMA), os Verdes, o Greenpeace e os Defensores da Terra, entre outros. Além de criticar os EUA, os manifestantes lembraram a importância que terá o Brasil para que o protocolo obtenha de fato efeitos positivos.
“O Brasil tem muito a fazer. O governo tem que parar o desmatamento, investir mais na produção de energias renováveis e proteger melhor seus ecossistemas”, avalia o secretário-executivo do movimento de ecologia social Os Verdes, Pedro Aranha, para quem a manifestação foi um “ato pela vida”: “A assinatura do Protocolo de Quioto certamente não é a salvação, mas pode ser o primeiro passo nesse sentido”, disse.
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