Em São Paulo, Serra e Marta trocaram ataques e o mesmo ocorreu no Rio com César Maia e Luiz Paulo Conde. Em várias capitais o debate da Rede Globo marcou o encerramento da campanha oficial.
Para o debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, entre os muitos realizados pela Rede Globo, estiveram voltadas, ontem à noite, as maiores atenções, pois governo federal e oposição estão envolvidos numa acirrada disputa. Lá, como em várias capitais, os debates marcaram o encerramento oficial da campanha.
Marta Suplicy polarizou o debate com José Serra em São Paulo.
E já no primeiro bloco o clima esquentou entre os candidatos José Serra e Marta Suplicy, quando o tema era emprego. Serra perguntou a Marta Suplicy como a prefeitura poderia auxiliar na criação de empregos, argumentando que a atual gestão atrapalha com a criação de impostos.
Marta respondeu ter enfrentando a situação “com força”, porque segundo ela, o PSDB deixou a cidade “em situação calamitosa”. E afirmou ter feito obras como os CEUs, que geraram empregos. Veio logo a réplica do candidato tucano que contestou e devolveu a acusação afirmando que 2,5 mil empresas deixaram a cidade na atual gestão.
Marta reagiu, dizendo que Serra estava usando de má fé, argumentando ter diminuido o ISS de algumas categorias para fazer frente à evasão. Serra pediu direito de resposta que lhe foi concedido. E manteve o clima polêmico ao afirmar que Marta havia respondido uma pergunta de importância com arrogância. Aí foi a vez da prefeita obter o seu direito de resposta, defendendo a sua iniciativa de reduzir o ISS para algumas empresas.
Era o que todos aguardavam, a polarização entre os dois candidatos, que prosseguiu até o fim. Serra criticou Marta apontando o anúncio feito pela secretaria de Finanças do município de um corte orçamentário da ordem de R$ 719 milhões, dos quais R$ 88 milhões foram da educação e R$ 209 milhões da saúde, dizendo que aquilo constituía um exemplo de falta de planejamento e indagou: “para onde foi o dinheiro do governo federal? Onde está o planejamento?”
Marta, no entanto, respondeu afirmando que é normal um governo fazer cortes. E essa acabou sendo a tônica do debate até o fim, mesmo com a participação dos demais candidatos.
Alinhamento
Uma das surpresas do debate, aliás, foi a estratégia adotada pelo candidato do PP, Paulo Maluf, que preferiu criticar Serra nas suas intervenções, reportando-se à política seguida por Serra quando era ministro do Planejamento, atacando a política econômica do governo FHC.
Estratégias
Na realidade, um dos aspectos que chamou a atenção foi a atuação dos “coadjuvantes” Paulo Maluf, que atuou em linha com Marta Suplicy nas críticas a José Serra, e de Ciro Moura e Luiza Erundina, que, assim como Serra, centraram suas críticas em Marta. Mas nos dois confrontos diretos entre Serra e Marta houve sempre troca de insultos.
O candidato do PTC, Ciro Moura, conseguiu na Justiça, cerca de duas horas antes do início do programa, o direito de participar do debate, que também contou com a participação de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
No Rio, também esquenta
O último debate entre os candidatos a prefeito do Rio também foi marcado pelos ataques ao atual prefeito Cesar Maia e pela discussão e ataques pessoais entre ele e o vice-governador Luiz Paulo Conde, do PMDB.
A discussão entre os candidatos iniciou com uma pergunta feita por Marcelo Crivella a Luiz Paulo Conde, indagando-lhe sobre um projeto na Rocinha que só teria começado a ser realizado neste ano. Conde disse que Maia trabalhou apenas em função da eleição e esperou três anos e meio para construir o projeto. “Trabalhou com a esperteza da política, mas não em benefício da cidade.”
Usando seu direito de resposta, Maia atacou Conde e disse que quando o adversário era prefeito, duas empresas de arquitetura em nome dele teriam tido um aumento considerável em seu faturamento. Conde irritou-se e começou a falar junto com Maia, classificando a acusação como “vil”. Os ânimos se alteraram e a apresentadora teve que interromper o debate, pedindo calma.
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