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CNBB critica arrecadação recorde do governo

ago 5, 2004 | Geral

O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), d. Geraldo Majella Agnelo, criticou hoje o aperto fiscal feito pelo governo no primeiro semestre, que resultou em uma economia de R$ 46,183 bilhões (5,76% do Produto Interno Bruto).

“Não vejo a arrecadação recorde se refletir em benefício para o povo. A arrecadação está no alto, mas não há um tostão para a parte social”, disse o cardeal, antes de divulgar uma carta endereçada aos bispos, que estabelece formas de colaboração de homens e mulheres na igreja.

Dados do Ministério da Fazenda revelam que o valor economizado pela governo federal, Estados e municípios superou em R$ 13,583 bilhões a meta acertada com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Na entrevista, o cardeal criticou duramente a posição do FMI. “Será que o FMI é tão cego que só quer levar o dinheiro? Será que o FMI não quer o bem de nenhum povo do mundo?”, questionou.

Em seguida, d. Geraldo Majella disse que o governo brasileiro não deve “arrecadar dinheiro de todas as formas” apenas para cumprir os compromissos acertados com o FMI e outros credores.

“Veja o caso que aconteceu na Argentina. O governo e o povo argentinos falaram alto e conseguiram [reduzir o valor da dívida]. Por que o Brasil não pode falar alto também?”, voltou a indagar o cardeal primaz do Brasil.

Segundo d. Geraldo Majella, o perfil do “povo brasileiro” impede a realização de algumas manifestações de protesto. “A panela continua esquentando. O que acontece é que o povo brasileiro não é feito para a guerra, mas para a paz.”

O cardeal disse também que os eleitores brasileiros precisam “ficar atentos” e voltou a criticar os políticos que “só pensam no poder”. “Existem políticos que querem se perpetuar no poder, mas não trabalham em benefício dos mais pobres, dos mais humildes.”

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