A CPI dos Correios ouve nesta quarta-feira o depoimento da diretora administrativa-financeira da agência SMPB, Simone Reis de Vasconcelos, responsável pela movimentação financeira da empresa de Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como o operador do suposto “mensalão”, o pagamento de prêmio mensal a parlamentares da base aliada.
Simone Vasconcelos, que já depôs por três vezes à Polícia Federal, entregou relações de sacadores e beneficiados das contas de Marcos Valério, que teria montado um esquema de “caixa 2” para o financiamento de campanhas eleitorais, utilizado pelo PT e, como recentemente se soube, também pelo PSDB.
Os saques discriminados por Simone revelam uma lista de 31 nomes, entre sacadores e beneficiários, de R$ 55,8 milhões retirados das contas de seu patrão. Além da lista elaborada por Valério, Simone entregou aos policiais uma segunda relação, com sete nomes, que teriam recebido cerca de R$ 7 milhões em saques pelos quais ela seria responsável.
Os nomes dos sacadores colocaram em polvorosa Brasília. A lista entregue por Simone, de forma indireta, foi o motivo da renúncia do presidente do PL e deputado federal Valdemar Costa Neto (SP). Ele também consta da lista, com saques de R$ 10,8 milhões feitos por intermédio de assessores ligados a seu partido, como Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL. Costa Neto renunciou anteontem ao mandato de deputado federal.
Policial
David Rodrigues Alves, policial civil de Minas Gerais que teria sacado mais de R$ 4 milhões, será ouvido no mesmo dia. O policial confirmou que fazia retiradas de três agências do Banco Rural e entregava o dinheiro na sede da SMPB Comunicação, em Belo Horizonte. Ao explicar como foi contratado pela SMPB para fazer as retiradas, apontou um elo entre a empresa –da qual o publicitário Marcos Valério de Souza é sócio– e o doleiro Haroldo Bicalho, que sofre processo na Justiça Federal.
Segundo Alves, ele foi indicado por Bicalho a Cristiano Paz, sócio de Valério, para transportar dinheiro. Bicalho foi preso durante a Operação Farol da Colina, da Polícia Federal, que prendeu 64 doleiros em julho de 2004. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de evasão fiscal e lavagem de dinheiro.
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