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CPI será palco para disputa eleitoral, diz líder

maio 26, 2005 | Geral

Está prevista para esta quarta-feira, às 10 h, no plenário da Câmara, a sessão do Congresso Nacional para a leitura do requerimento de criação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) dos Correios. O líder do PT, deputado Paulo Rocha (PA) alertou que os parlamentares petistas que mantiverem a assinatura na CPMI estarão fazendo o jogo da oposição.

“Os que os nossos deputados precisam entender é que o PSDB e o PFL querem buscar um palco para antecipar a disputa eleitoral. Por isso, o diretório nacional do partido recomendou que eles retirem a assinatura, para não dar esse instrumento para a oposição”, afirmou.

Paulo Rocha disse que os resultados positivos do governo Lula em vários setores não deixaram outra opção para a oposição. “Querem a CPMI para fazer um palanque, pois a investigação, por determinação do Executivo, está sendo feita com todo o rigor pela Polícia Federal”, ressaltou. Ele frisou que a conjuntura do momento é claramente de disputa política.

O líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), analisou que os líderes da base aliada e o governo entendem que não é necessária a instalação da CPMI. Ele enumerou as iniciativas governamentais para investigar as denúncias de propinas nos Correios como, por exemplo, as investigações da PF e do Ministério Público, a revisão de todos os contratos desta gestão nos Correios pela Corregedoria Geral da União e a formação de uma comissão de sindicância.

Golpe – O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, que esteve reunido nesta segunda-feira com ministros e líderes da base aliada, classificou a CPMI de tentativa de “golpe” da oposição. “O governo não vai tolerar isso. Os deputados da base aliada que mantiverem suas assinaturas estarão apoiando o golpe da direita”, classificou. Ele lembrou que tentativas semelhantes foram usadas no passado contra Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart.

“Estão antecipando a disputa política porque a direita não tem um candidato que possa concorrer com o presidente Lula em 2006, então é preciso desestabilizar o governo que recebeu esse país com uma herança nefasta e que, mesmo assim, apresenta os melhores indicadores sociais e econômicos dos últimos anos”, afirmou.

O vice-líder do PT, Fernando Ferro (PT-PE), ocupou a tribuna para criticar a postura da oposição: “além de irresponsável, é golpista, tenta criar uma falsa crise institucional. Quem está em crise é a oposição, que quer buscar um discurso, uma argumentação para rebater o desempenho do governo nas áreas econômica e social” afirmou.

Ele desafiou os tucanos a compararem, ao final de 2006, os quatro anos de governo Lula com os oito anos de Fernando Henrique Cardoso. “Queremos comparar inclusive a herança moral e ética que FHC nos deixou, pois ele e os tucanos se esqueceram dos escândalos das CPIs que foram compradas e abafadas nesta Casa”, afirmou.

Os deputados poderão retirar suas assinaturas da CPMI até a meia-noite de quarta-feira. Para a instalação da CPMI, são necessárias as assinaturas de 171 deputados e de 27 senadores.

admin
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